Pró-governo diz que greve nacional expõe pressão social e testa resposta de Macron

Sindicatos e estudantes cobram salários e serviços públicos, enquanto o governo mobiliza 70 mil agentes e promete firmeza. O fechamento da Torre Eiffel e os confrontos ampliam a disputa sobre custo de vida, segurança e direito de protestar.
Pró-governo diz que greve nacional expõe pressão social e testa resposta de Macron

Pró-governo diz que greve nacional expõe pressão social e testa resposta de Macron
A greve nacional transformou a insatisfação econômica em uma demonstração de força nas ruas francesas. Sindicatos, estudantes, trabalhadores e coletes amarelos uniram reivindicações por melhores salários, justiça fiscal e preservação dos serviços públicos. Do outro lado, o governo destacou os riscos de vandalismo, mobilizou 70 mil policiais e prometeu agir com “extrema firmeza” diante de distúrbios.

O contraste ficou visível em Paris, onde a Torre Eiffel fechou e escolas tiveram atividades interrompidas, e em Lyon, palco de confrontos. Para os sindicatos, a raiz da crise está no orçamento doméstico: “Combustível, alimentos, aluguel, gás, eletricidade… Tudo está subindo, exceto salários e aposentadorias”. A resposta oficial, porém, concentrou-se na ordem pública, com blindados, drones e helicópteros apoiando as operações de segurança.

Os estudantes também rejeitam a ideia de que concessões pontuais tenham encerrado o movimento. “Seguimos com o movimento porque não nos escutam. Estamos aqui para tentar mudar as coisas”, afirmou Luce, de 15 anos, em Estrasburgo. Em Paris, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar jovens e impedir bloqueios de escolas.

A disputa não envolve apenas economia e segurança. Sindicatos, magistrados, advogados e organizações de direitos humanos acusam o governo de restringir percursos e proibir atos nos centros urbanos. Já autoridades apontam episódios como o incêndio em uma escola nos arredores de Toulouse e a ação de grupos mascarados para justificar o reforço policial. Em Lyon, o Ministério do Interior atribuiu os confrontos a ativistas radicais; a CGT respondeu que o governo tentou bloquear os protestos, mas eles estavam “maiores do que nunca”.

Assim, ambos os lados reconhecem a escalada da crise, mas divergem sobre sua causa e sua saída: os manifestantes exigem renda e negociação; o governo aposta em controle das ruas e contenção dos distúrbios.

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