Pró-governo diz que operação expôs esquema milionário de remédios falsos contra câncer

Três pessoas foram presas, sete empresas tiveram as atividades suspensas e até R$ 15 milhões podem ser bloqueados. A investigação aponta que medicamentos sem princípio ativo chegaram a hospitais de ao menos sete estados.
Pró-governo diz que operação expôs esquema milionário de remédios falsos contra câncer

Pró-governo diz que operação expôs esquema milionário de remédios falsos contra câncer
A embalagem imitava o medicamento original, mas o conteúdo contava outra história. Segundo a investigação da Polícia Civil, um frasco falsificado de Keytruda administrado a um paciente do Hospital Igesp continha “apenas sódio e cloro”. A análise não encontrou pembrolizumabe — princípio ativo da imunoterapia — nem outra substância farmacêutica.

Esse contraste entre aparência e composição é o ponto mais alarmante da segunda fase da Operação Laziosi. Três pessoas foram presas, e agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão na capital paulista e em cinco cidades do interior. A Justiça também determinou a suspensão das atividades de sete empresas e o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores.

Para os investigadores, não se tratava de uma venda isolada. Notas fiscais emitidas entre janeiro e novembro de 2024 registram mais de R$ 1,5 milhão em saídas do imunoterápico, com destinatários em pelo menos sete estados. Parte das empresas ligadas à distribuidora não teria estrutura nos endereços declarados. O UOL informou que ainda não havia conseguido contato com as defesas dos investigados, mantendo espaço aberto para manifestação.

A operação também contrapõe duas etapas da apuração: apesar da primeira ofensiva policial, realizada em novembro de 2024, a distribuidora teria continuado a comercializar produtos suspeitos. Em abril de 2025, nove unidades de outro medicamento oncológico falsificado foram vendidas a um hospital do interior paulista; uma teria sido aplicada em um paciente. As restantes foram trocadas por unidades de um lote associado a uma carga roubada em Minas Gerais.

Enquanto o Ministério Público sustenta que a nova fase busca interromper a atividade e recuperar valores, a ausência de manifestação das defesas deixa sem contraponto público as acusações. O que já está documentado, porém, é o risco concreto: produtos com aparência legítima entraram na cadeia hospitalar sem entregar o tratamento prometido.

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