Ação no TSE coloca medidas populares de Lula sob suspeita eleitoral

O Novo acusa o governo de usar benefícios e quase R$ 100 bilhões em créditos para favorecer a reeleição. A chapa terá cinco dias para responder, e o tribunal ainda decidirá se aprofundará a investigação.
Ação no TSE coloca medidas populares de Lula sob suspeita eleitoral

Ação no TSE coloca medidas populares de Lula sob suspeita eleitoral
A decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, não condena Lula nem Geraldo Alckmin. Ela abre a tramitação da ação de investigação apresentada pelo Novo e concede cinco dias para a defesa da chapa se manifestar. Só depois o ministro decidirá entre encerrar o caso ou avançar para a coleta de provas.

De um lado, o Novo sustenta que o governo transformou instrumentos legítimos — medidas provisórias, decretos e créditos extraordinários — em armas eleitorais. A legenda relaciona 35 atos de concessão ou ampliação de benefícios entre janeiro e 16 de outubro de 2026, dos quais 12 teriam sido publicados durante a campanha. Também aponta 13 créditos extraordinários que somariam R$ 99,7 bilhões.

Para o presidente do partido, Eduardo Ribeiro, o tribunal deve analisar o caso “com rigor”, porque “a lei não permite que um governo gaste R$ 100 bilhões para comprar uma eleição”. Entre as medidas questionadas estão o reajuste do Bolsa Família, subsídios aos combustíveis, programas de renegociação de dívidas e a proibição das bets.

Do outro lado, os documentos oficiais apresentam justificativas sociais, não eleitorais. O governo afirmou que a antecipação do reajuste do Bolsa Família “busca mitigar os possíveis eventos do super El Niño sobre as famílias em situação de vulnerabilidade” e observou que pagamentos já haviam sido unificados em situações anteriores, como no Rio Grande do Sul em 2024. A campanha de Lula ainda não havia apresentado resposta específica às acusações.

A diferença central está na intenção atribuída aos atos: para o Novo, a regularidade formal não elimina um possível uso eleitoral; para o governo, as políticas respondem a necessidades públicas. O TSE ainda não escolheu entre essas leituras. A admissão da ação significa apenas que a petição atende aos requisitos legais — embora uma eventual investigação possa terminar em cassação e inelegibilidade.

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