Mendonça manda Camisotti para casa apesar da resistência da PGR

O STF trocou a prisão preventiva do empresário por domiciliar com tornozeleira e outras restrições. A defesa celebra o fim de uma detenção que considerava excessiva, enquanto a PGR aponta a complexidade das suspeitas.
Mendonça manda Camisotti para casa apesar da resistência da PGR

Mendonça manda Camisotti para casa apesar da resistência da PGR
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, substituiu a prisão preventiva de Maurício Camisotti por prisão domiciliar, mas manteve o empresário sob vigilância. Investigado no caso dos descontos indevidos sobre benefícios do INSS, ele terá de usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte, permanecer no país e evitar contato com outros investigados.

A decisão contrapõe duas leituras sobre o risco representado por Camisotti. Mendonça considerou que as restrições são suficientes, por ora, para proteger a apuração. Segundo o ministro, “a prisão preventiva constitui providência excepcional” e não pode funcionar como antecipação de pena. A PGR havia defendido a manutenção da custódia, citando a complexidade do caso.

A defesa sustenta que o tempo e o andamento das investigações esvaziaram as razões para manter o empresário na prisão. Os advogados afirmaram que Camisotti “jamais atrapalhou o andamento das investigações” e disseram que ele cumprirá todas as medidas impostas pelo STF. Mendonça chegou a conclusão semelhante: não identificou risco atual de interferência na apuração, embora a decisão não descarte as suspeitas nem invalide os fundamentos da prisão original.

O pano de fundo continua pesado. A Polícia Federal aponta Camisotti como um dos principais articuladores e beneficiários de um esquema de descontos associativos não autorizados. A estimativa citada é de prejuízo de cerca de R$ 6,3 bilhões, com mais de 4,1 milhões de aposentados e pensionistas afetados entre 2019 e 2024.

Há ainda uma divergência entre os relatos sobre uma possível colaboração premiada. Uma fonte afirma que o acordo estava em negociação, mas ainda não havia sido assinado; outra relata que Camisotti firmou delação com a PF e admitiu fraudes. Em comum, as versões mostram que a prisão domiciliar muda a condição do investigado — não encerra o caso contra ele.

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