Flávio esconde rota aos EUA enquanto versões sobre ajuda externa colidem

O senador assume sozinho a saída do Brasil e diz temer a prisão, mas reportagens sobre o voo e seus possíveis articuladores mantêm dúvidas sobre quem viabilizou a viagem.
Flávio esconde rota aos EUA enquanto versões sobre ajuda externa colidem

Flávio esconde rota aos EUA enquanto versões sobre ajuda externa colidem
O ponto central da versão de Flávio Bolsonaro é simples: ele planejou a saída, não recebeu auxílio de governos e pretende preservar os detalhes. “Como eu cheguei aqui, levarei isso para o túmulo. Foi tudo obra minha”, disse ao The New York Times. O senador também afirmou que a decisão só foi tomada depois de a Polícia Federal intimá-lo a entregar os passaportes.

Essa narrativa, reproduzida por veículos de oposição com ênfase no temor de perseguição e prisão, contrasta com as perguntas ainda abertas sobre a operação. Segundo uma das reportagens, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina, embarcou em Puerto Iguazú e seguiu para Miami em um jato particular, com escala em Guayaquil. O proprietário da companhia aérea teria informado que o voo foi contratado e pago por um intermediário do setor, por meio de uma conta nos Estados Unidos.

Na cobertura pró-governo, o foco recai justamente sobre essa aparente contradição. O texto cita notícias do New York Times e do Wall Street Journal segundo as quais o avião teria sido providenciado por Jason Miller, ligado à comunicação da Casa Branca. Também menciona relato do argentino Clarín de que Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, teria acompanhado a movimentação em Puerto Iguazú. Flávio rejeitou qualquer apoio operacional: “Pode ter havido torcida, mas nada além disso”.

As duas leituras convergem em um ponto: o senador diz acreditar que seria preso se permanecesse no Brasil. Divergem, porém, sobre o significado dessa alegação — para uns, justificativa para sua saída; para outros, tentativa de apresentar como perseguição investigações e restrições judiciais.

Mesmo instalado nos Estados Unidos, Flávio não trata a mudança como definitiva. Ele afirmou que pretende disputar novamente a Presidência caso haja uma nova eleição. Assim, o segredo sobre a viagem não encerra a crise: preserva o mistério e mantém vivo seu projeto político.

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