Lula prega rigor fiscal, mas mercado ainda espera medidas concretas
Lula prega rigor fiscal, mas mercado ainda espera medidas concretas
Lula escolheu uma reunião sobre minerais críticos para enviar um recado econômico mais amplo: capital privado não chega apenas pelo potencial geológico do Brasil. “Ninguém vai colocar dinheiro aqui pelos belos cabelos do Lula ou do vice-presidente Geraldo Alckmin”, afirmou, antes de defender responsabilidade fiscal e jurídica. Ao mesmo tempo, rejeitou um Estado controlador de toda a cadeia e propôs parcerias com outros países.
A estratégia combina abertura ao investimento com uma agenda de soberania. O conselho recém-criado aprovou 27 minerais prioritários, entre eles terras raras, grafita, lítio, níquel e cobre. O objetivo declarado é deixar de exportar apenas minério bruto e ampliar processamento, refino e produção industrial dentro do país.
Nas fontes associadas à oposição, porém, o foco recai sobre a credibilidade dessa promessa. Uma delas reproduz Lula dizendo que a economia precisa estar “arrumada”, mas também destaca seus ataques às privatizações e a governos anteriores, acusados pelo presidente de não terem um “projeto de pátria”. A convergência está no diagnóstico — investimentos exigem estabilidade —, enquanto a divergência aparece na confiança de que o governo entregará esse equilíbrio.
Essa desconfiança ganha força porque a defesa da disciplina fiscal ainda não veio acompanhada de cortes específicos. Em meio às cobranças do mercado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que “não há fórmula mágica” e prometeu reforçar as regras vigentes. O ambiente também inclui juros de 13,75% e expectativas de inflação acima do teto da meta, segundo o relato.
Nas redes sociais, a reação foi ainda mais direta: Rodrigo Constantino respondeu com emojis de palhaço a uma publicação sobre a defesa de responsabilidade fiscal feita por Lula. Entre o plano de agregar valor aos minerais e a cobrança por contas públicas mais previsíveis, o governo tenta provar que soberania econômica e rigor fiscal podem caminhar juntos — mas seus críticos querem mais do que palavras.
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