Peña tenta sair, mas Senado mantém impeachment no centro da crise

O presidente promete apresentar provas e colaborar com as investigações, enquanto a oposição insiste na destituição para evitar que ele obtenha imunidade como senador vitalício.
Peña tenta sair, mas Senado mantém impeachment no centro da crise

Peña tenta sair, mas Senado mantém impeachment no centro da crise
O Senado paraguaio retomou o julgamento político de Santiago Peña em meio a uma disputa que vai além de sua permanência no cargo: está em jogo também o status jurídico que ele poderá conservar depois de deixar a Presidência.

Peña tenta enquadrar sua saída como uma decisão voltada à estabilidade. Na carta de renúncia, afirmou que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai” e pediu desculpas caso tenha falhado com a população. Ao mesmo tempo, decidiu comparecer ao processo no Senado, apesar de considerar que os parlamentares já anteciparam o resultado.

“Comparecerei e exercerei meu direito de defesa. Farei isso com argumentos e provas, respeitando a Constituição e as instituições da República”, declarou. Peña também prometeu colaborar com as investigações e defendeu que o ressarcimento dos correntistas não fique subordinado ao seu destino político.

A oposição lê a renúncia de outra maneira. Seus parlamentares querem concluir o impeachment para impedir que Peña se torne senador vitalício — condição reservada a ex-presidentes democraticamente eleitos que não tenham sido destituídos e que pode assegurar imunidades parlamentares.

Há ainda versões divergentes sobre a situação formal da renúncia. Um relato aponta que a votação foi interrompida após governistas deixarem a sessão, provocando falta de quórum; outro afirma que o pedido foi rejeitado e que o processo seguiu ao Senado. Na prática, Peña continua submetido ao julgamento, e são necessários 30 dos 45 votos para afastá-lo.

Por trás do choque institucional está o colapso do Ueno Bank, que bloqueou o acesso de milhões de clientes às próprias economias. Peña foi acionista do grupo controlador até 2025; a oposição aponta conflito de interesses e questiona o uso de recursos públicos. Governo e adversários concordam em um ponto: os depositantes precisam receber. Divergem, porém, sobre se a renúncia encerra a crise — ou tenta escapar de suas consequências.

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