Pró-governo diz que PRF terá de dobrar efetivo para patrulhar rios e ferrovias

A PRF projeta chegar a 26 mil agentes e instalar bases flutuantes, mas a expansão prevista na PEC da Segurança ainda depende de regulamentação, orçamento e definição da infraestrutura.
Pró-governo diz que PRF terá de dobrar efetivo para patrulhar rios e ferrovias

Pró-governo diz que PRF terá de dobrar efetivo para patrulhar rios e ferrovias
A PEC da Segurança abre caminho para uma PRF maior e presente em novos territórios. O plano da corporação é praticamente dobrar o quadro atual, de 13 mil para cerca de 26 mil agentes, enquanto prepara bases flutuantes para patrulhar rios e uma estrutura específica para as ferrovias. A execução, porém, ainda depende de regulamentação federal, financiamento e estudos operacionais.

De um lado, a direção da PRF sustenta que o reforço é indispensável. Estudos de 2016 já apontavam a necessidade de 18 mil agentes apenas nas rodovias federais. Com rios e trilhos adicionados à missão, o diretor-geral Antônio Fernando Oliveira invoca um compromisso presidencial: “O presidente Lula de forma muito clara disse que vai dobrar o efetivo da Polícia Rodoviária Federal. Para atender a esses modais, seria realmente dobrar o efetivo.”

Do outro, o desenho ainda está longe de sair completo do papel. A PRF não possui bases flutuantes, desconhece quantas serão necessárias e não calculou o custo total. Na Amazônia, onde rios extensos são usados para o tráfico de drogas e o transporte ilegal de madeira, a proposta prevê grandes embarcações móveis com equipes de diferentes órgãos. A Marinha manteria a fiscalização da navegação, a Polícia Federal cuidaria da polícia judiciária e a PRF assumiria o patrulhamento ostensivo.

Nas ferrovias, a PEC prevê incorporar aproximadamente 600 integrantes da Polícia Ferroviária Federal. Além de treinamento, equipamentos e nova doutrina operacional, a expansão exigirá receita permanente. Oliveira propõe um fundo abastecido com recursos ligados às concessões ferroviárias e hidroviárias, argumentando que “a presença policial pode reduzir prejuízos provocados por crimes e aumentar a segurança do transporte de mercadorias”.

A ambição, portanto, está definida; os meios, não. Até a regulamentação e o financiamento avançarem, a nova PRF permanece mais projeto do que realidade.

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