Peña alega defesa atropelada, mas oposição vê corrida por imunidade
Peña alega defesa atropelada, mas oposição vê corrida por imunidade
O julgamento político de Santiago Peña abriu uma disputa que vai além de sua permanência na Presidência do Paraguai: de um lado, está a alegação de que o mandatário não teve tempo para responder; do outro, a suspeita de que ele tenta deixar o cargo sem perder as proteções reservadas a ex-presidentes.
A crise nasceu da intervenção no Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. Peña é acusado de possível conflito de interesses por ter mantido participação na controladora da instituição até março de 2025, já durante seu mandato. Também estão sob escrutínio aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos e uma possível omissão do Banco Central.
Peña diz ter recebido uma acusação de 15 páginas e cerca de 300 páginas de anexos na noite anterior ao julgamento. “Fui notificado às 22h15 com uma peça acusatória e cerca de 300 páginas de anexos, e pretendem que eu responda em menos de 12 horas. Isso não é devido processo legal”, afirmou. O Senado, porém, rejeitou seu pedido de mais 72 horas.
A oposição interpreta a movimentação de maneira oposta. O senador Rubén Velázquez acusou Peña de tentar “ganhar tempo” para “tornar-se senador vitalício” e evitar a Justiça. A renúncia apresentada pelo presidente ainda depende do Congresso; se ele for afastado por impeachment, poderá perder tanto o cargo vitalício quanto o foro associado a essa condição.
Já o relato do campo pró-governo concentra-se no rito: o Senado deve ouvir os dois lados e precisa de 30 dos 45 votos para condenar Peña. A Câmara aprovou a acusação por unanimidade, mas rejeitou o impeachment do vice-presidente Pedro Alliana, que assumiria o poder em caso de afastamento. Assim, defesa e oposição concordam apenas sobre o tamanho da crise — e divergem frontalmente sobre quem tenta contornar as regras.
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