Leão XIV desafia a saúde frágil e o recuo católico em sua maior viagem

Três semanas após uma cirurgia contra o câncer, o papa percorre Uruguai, Argentina e Peru. A viagem combina reencontros pessoais, defesa da doutrina e uma tentativa de reaproximar a Igreja dos latino-americanos.
Leão XIV desafia a saúde frágil e o recuo católico em sua maior viagem

Leão XIV desafia a saúde frágil e o recuo católico em sua maior viagem
Três semanas depois de uma cirurgia para retirar um câncer de pulmão, Leão XIV embarcou na viagem mais longa e distante de seu pontificado: 11 dias, três países e cerca de 31 mil quilômetros. O itinerário coloca lado a lado dois desafios — a resistência física do papa, de 71 anos, e a capacidade da Igreja de recuperar espaço em uma região cada vez menos católica.

A primeira parada é o Uruguai, que não recebe um pontífice desde 1988 e é considerado o país mais secular da América Latina. Além de encontros com o presidente Yamandú Orsi e autoridades, Leão XIV visitará uma área de Montevidéu afetada pela violência e celebrará missas em Paysandú e Florida. O roteiro também deve abrir espaço para a defesa das posições da Igreja contra o aborto e a morte assistida.

Do lado do Vaticano, a mensagem é de confiança. A chefe de comunicação Maria Montserrat Alvar afirmou que a recuperação permite a viagem e destacou: “A resistência dele é fantástica. O modo como canta é incrível. E só se pode cantar se os pulmões estiverem realmente fortes”. Haverá atendimento médico a bordo, embora os médicos estejam seguros sobre sua condição.

A outra leitura desloca o foco da saúde para a crise de identificação religiosa. Pesquisa do Pew Research Center citada pela imprensa mostrou queda na proporção de católicos nos seis países latino-americanos analisados; cerca de um em cada cinco adultos afirmou ter deixado a Igreja na qual foi criado. Os mais jovens também se declaram menos católicos do que os maiores de 50 anos.

Há, porém, sinais de mobilização. Ingressos para uma vigília em Montevidéu se esgotaram em dois dias, enquanto Casavalle registrou maior procura por missas, batismos e primeiras comunhões. Depois do Uruguai, Leão XIV seguirá para a Argentina e encerrará a viagem no Peru, onde trabalhou durante duas décadas. O percurso mistura, assim, doutrina, memória pessoal e uma aposta: transformar a presença do papa em renovação duradoura.

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