Pró-governo diz que prisão perpétua expõe plano calculado para matar Brent Sikkema

A acusação americana descreveu um assassinato planejado e financiado durante um divórcio litigioso. A defesa contestou a finalidade dos pagamentos, enquanto o acusado de executar o crime atribuiu a Daniel o papel de mentor.
Pró-governo diz que prisão perpétua expõe plano calculado para matar Brent Sikkema

Pró-governo diz que prisão perpétua expõe plano calculado para matar Brent Sikkema
Daniel Sikkema, de 56 anos, foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos pelo assassinato de Brent Sikkema, galerista de 75 anos morto com 18 facadas em sua casa no Jardim Botânico, no Rio, em janeiro de 2024. A sentença consolida a versão da acusação de que o crime foi encomendado durante uma disputa de divórcio e patrimônio.

A Procuradoria do Distrito Sul de Nova York apresentou Daniel como o centro de um plano preparado durante meses. Segundo o procurador Jamie McDonald, ele “manipulou amigos, familiares e funcionários para executar um assassinato motivado pela ganância”, demonstrando “profundo desprezo pela vida humana e pelo Estado de Direito”.

Os promotores afirmaram que Daniel contratou o cubano Alejandro Triana Prevez, fez 11 transferências para ele e uma pessoa ligada a ele em Cuba e ocultou a origem do dinheiro usando identidades de terceiros. Após o homicídio, Prevez teria telefonado para Daniel por um número secreto; pouco depois, recebeu US$ 5 mil, com promessa de novos pagamentos.

A defesa ofereceu uma leitura oposta: durante o julgamento, sustentou que as remessas correspondiam a trabalhos realizados por Prevez. Antes do veredicto, também afirmava que Daniel era inocente; após a condenação, não informou se apresentaria recurso.

Prevez, por sua vez, reforçou a tese dos promotores americanos. Seu advogado declarou que ele considera a sentença justa porque Daniel teria sido “o mentor do crime” e o ameaçado repetidamente para garantir a execução. Essa posição contrasta com uma manifestação anterior da defesa de Daniel, que acusava Prevez de incriminá-lo para buscar punição mais branda.

A condenação nos EUA encerra uma frente do caso, mas não todo o processo. Prevez, preso quatro dias após o crime, continua aguardando julgamento no Brasil — onde sua responsabilidade direta ainda será decidida pela Justiça.

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