Pró-governo diz que saída de Peña abre caminho para reconstruir o Paraguai
Pró-governo diz que saída de Peña abre caminho para reconstruir o Paraguai
A crise do Ueno Bank produziu duas narrativas opostas em Assunção. Para Santiago Peña, deixar a Presidência era uma tentativa de conter a instabilidade. “Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e para ajudar a restaurar a paz no Paraguai”, afirmou antes de o Senado destituí-lo por 44 votos, sem manifestações contrárias.
A oposição interpretou o gesto de outra forma. Parlamentares defenderam que aceitar a renúncia permitiria a Peña tornar-se senador vitalício e preservar imunidade parlamentar; por isso, insistiram no impeachment. Governistas, em contraste, argumentaram que a saída voluntária encerraria a crise mais rapidamente. A renúncia não avançou, e o Senado aprovou a destituição.
No centro da disputa está a quebra do Ueno Bank, que concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos e previdenciários. Peña havia sido acionista do grupo controlador. A oposição o acusa de conflito de interesses, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional — acusações que o ex-presidente e seus advogados tentaram enfrentar no julgamento político.
A defesa sustenta que não houve tempo adequado para examinar as provas e alega violações à ampla defesa e ao devido processo legal. Os advogados anunciaram que pretendem contestar o processo no sistema interamericano. Já o sucessor Pedro Alliana, também do Partido Colorado, adotou um tom de resposta imediata: “Não vamos os deixar sós”, disse sobre os clientes afetados, prometendo ressarcimento prioritário aos mais vulneráveis.
A mudança política foi acompanhada por uma virada judicial. Após perder o mandato, Peña foi detido em Assunção por ordem de promotores que investigam suspeitas de gestão fraudulenta e outros possíveis crimes ligados ao banco. A apuração examina suas antigas participações societárias, aplicações financeiras e conexões empresariais com o conglomerado.
Assim, enquanto aliados falam em reconstrução e estabilidade, opositores e investigadores tratam a queda de Peña como o início — não o fim — da prestação de contas.
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