Pró-governo diz que pagamentos no Ueno Bank começaram, mas crise ainda ameaça o Paraguai
Pró-governo diz que pagamentos no Ueno Bank começaram, mas crise ainda ameaça o Paraguai
O Banco Central do Paraguai começou a liberar adiantamentos para clientes do Ueno Bank na tarde de quinta-feira (5), após a intervenção que bloqueou o acesso de cerca de 3 milhões de correntistas aos seus recursos. “O processo de pagamento dos adiantamentos da garantia aos correntistas do Ueno Bank começou na tarde desta quinta-feira”, afirmou José Maciel, diretor da unidade responsável pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).
A primeira etapa prioriza clientes com depósitos de até R$ 8,9 mil, sem dívidas com o Ueno e com uma conta habilitada em outra instituição paraguaia. Esse grupo receberá o valor integral; os demais deverão aguardar novos anúncios. Outra reportagem situa o limite em 10 milhões de guaranis, aproximadamente R$ 9,2 mil, e afirma que o dinheiro será transferido por bancos parceiros.
Para o Banco Central e o então presidente Santiago Peña, a intervenção protege depositantes e impede que o problema contamine o sistema financeiro. Ambos sustentaram que o caso era isolado. Essa leitura, porém, contrasta com a dimensão do choque: o Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas previdenciárias, e seu índice de solvência teria caído para menos da metade do mínimo regulatório.
A resposta institucional tampouco encerrou a crise política. O Ministério Público pediu a prisão de oito pessoas ligadas ao banco, enquanto 27 são investigadas por suspeitas de fraude e estelionato. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central sob críticas por ter comandado anteriormente o próprio Ueno.
Peña também anunciou sua renúncia depois que a oposição apresentou pedidos de impeachment. “Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou. O pedido ainda depende do Congresso. Assim, os primeiros pagamentos aliviam parte dos clientes, mas não resolvem a disputa central: para o governo, trata-se de conter um caso específico; para críticos e investigadores, o episódio expõe relações políticas, fiscalização insuficiente e riscos ao dinheiro público.
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