Trump responde à derrota eleitoral entregando a Casa Branca à linha dura

Stephen Miller substituirá Susie Wiles após o revés republicano nas eleições de meio de mandato. Aliados celebram a promoção; democratas prometem enfrentar o novo chefe de gabinete.
Trump responde à derrota eleitoral entregando a Casa Branca à linha dura

Trump responde à derrota eleitoral entregando a Casa Branca à linha dura
Donald Trump escolheu Stephen Miller, até então vice-chefe de gabinete e um de seus conselheiros mais próximos, para comandar a equipe da Casa Branca. O anúncio veio três dias depois de os democratas conquistarem a Câmara, o Senado e a maioria dos governos estaduais nas eleições de meio de mandato. Trump afirmou que queria “promover uma mudança” e disse que Susie Wiles, elogiada por seu “trabalho fora do comum”, passará para a estrutura política do presidente.

A troca marca uma mudança de estilo. Wiles, veterana das campanhas de Trump e autodenominada “organizadora do caos”, era associada à disciplina operacional. Miller, por sua vez, construiu a carreira como formulador da política migratória mais rígida do trumpismo: participou da elaboração da separação de famílias na fronteira, das restrições à entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana e do projeto do muro com o México. Para críticos, sua ascensão indica que o governo pretende aprofundar o confronto com o Congresso democrata, em vez de buscar um acordo após o revés eleitoral.

Os aliados apresentam a promoção como continuidade, não radicalização. Trump chamou Miller de “um dos assessores em que mais confio”, enquanto o vice-presidente J. D. Vance o descreveu como “um patriota incrível” e rejeitou qualquer abertura para uma anistia migratória. Essa ala do Partido Republicano sustenta que a derrota decorreu sobretudo da inflação e dos efeitos da guerra no Irã — e não da rejeição à política de deportações.

Do outro lado, os democratas enxergam a nomeação como prova de que Trump ignorou o recado das urnas. Chuck Schumer, líder democrata no Senado, classificou Miller como arquiteto de políticas “bárbaras e desumanas” e prometeu que as novas maiorias do partido irão enfrentá-lo “a cada instante”. A disputa, portanto, não é apenas por um cargo: é sobre qual lição Washington tirará da eleição.

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