Justiça mantém veto a Tifanny, mas defesa contesta regras da CBV
Justiça mantém veto a Tifanny, mas defesa contesta regras da CBV
A disputa entre Tifanny Abreu e a Confederação Brasileira de Voleibol ganhou mais uma decisão favorável à entidade. A 14ª Vara Cível da Capital do Rio de Janeiro rejeitou o novo pedido liminar da atleta, mantendo os efeitos da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva — o terceiro resultado consecutivo que preserva a política da CBV.
Para a magistrada, a contestação apresentada não demonstrou motivo suficiente para uma intervenção imediata da Justiça comum. “A mera discordância da parte autora quanto ao resultado do julgamento […] não constitui, por si só, fundamento suficiente para justificar a suspensão de seus efeitos”, registrou a decisão. A defesa sustenta o oposto: diz que não questiona apenas o resultado, mas a regularidade do processo, a ausência de transição e o uso do marcador genético SRY. Segundo a petição, Tifanny não teria recebido uma apreciação “efetivamente isonômica e imparcial”. A CBV, por sua vez, afirma que a norma é geral, aplicada igualmente e compatível com diretrizes técnicas do movimento olímpico.
O choque central está nos critérios de elegibilidade. Até 2017, as regras adotadas no Brasil permitiam a participação de atletas trans mediante parâmetros hormonais. A nova política restringe a categoria feminina a atletas com resultado negativo na triagem do gene SRY, deixando identidade de gênero, documentos e tratamentos hormonais fora da avaliação.
A confederação apresenta a mudança como alinhamento às políticas internacionais. O presidente da CBV, Radamés Lattari, declarou que ela deixa os campeonatos nacionais “equiparados com as competições internacionais”. Já João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da entidade, afirma que a coleta é “pouco intrusiva e altamente precisa”. Para a defesa de Tifanny, contudo, o novo modelo rompe a segurança jurídica e limita o exercício profissional. Quem não fizer o exame não será punido disciplinarmente, mas ficará impedido de competir nos torneios nacionais abrangidos pela política.
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