PDT aposta em superfederação para escapar da barreira eleitoral
PDT aposta em superfederação para escapar da barreira eleitoral
A Executiva Nacional do PDT aprovou o ingresso do partido na federação já formada por Solidariedade e PRD, à qual o Avante também aderiu. O plano ainda precisa do referendo do Diretório Nacional e do aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de deixar aberta a negociação para incluir o PSB.
Na visão defendida pela direção pedetista, a união vai além da sobrevivência eleitoral. Carlos Lupi, presidente da sigla, afirma que a federação fortalecerá deputados e senadores “na defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro” e ampliará a presença do legado trabalhista. Juntos, PDT, Avante, PRD e Solidariedade elegeram 18 deputados federais — seis, cinco, cinco e dois, respectivamente.
A leitura mais pragmática, porém, expõe a pressão por trás da articulação. Nenhuma das quatro forças alcançou individualmente a cláusula de barreira em 2026, requisito para garantir acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita. O PDT elegeu apenas seis deputados, três a menos que sua bancada anterior. A união, portanto, oferece escala política e financeira a legendas que perderam espaço nas urnas.
As duas perspectivas convergem na ideia de fortalecimento coletivo, mas diferem na ênfase: enquanto o PDT apresenta a federação como instrumento de afinidade programática, os números revelam uma necessidade institucional imediata. E não se trata de uma aliança passageira. Diferentemente das antigas coligações, os partidos deverão funcionar como uma única agremiação em todo o país por pelo menos quatro anos, embora preservem formalmente suas identidades.
A possível entrada do PSB pode dar mais peso ao bloco. Antes disso, o TSE terá de aprovar a ampliação da Renovação Solidária e as consequentes mudanças em seu nome e estatuto.
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