Superávit dispara, mas petróleo sustenta boa parte do salto
Superávit dispara, mas petróleo sustenta boa parte do salto
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,32 bilhões em outubro de 2026, avanço de 39,4% sobre o mesmo mês do ano anterior. As exportações chegaram a US$ 37,81 bilhões, alta de 20%, enquanto as importações cresceram 14,8%, para US$ 28,49 bilhões. No acumulado de janeiro a outubro, o saldo positivo alcançou US$ 71,04 bilhões — 34,1% acima do resultado de 2025.
Na leitura pró-governo, o destaque está na expansão das vendas externas e na aparente resistência às barreiras comerciais. As exportações aos Estados Unidos saltaram 87% em outubro, para US$ 4,32 bilhões, e voltaram ao terreno positivo no acumulado do ano, com alta de 0,2%, “apesar do tarifaço”. Ao mesmo tempo, a China permaneceu como principal destino dos produtos brasileiros, mas comprou 5,3% menos no mês. Segundo a explicação reproduzida pela fonte, a queda foi “motivada pela queda na exportação de carne bovina, soja, farelo de soja”.
A perspectiva de oposição não contesta os números centrais, mas realça a composição do avanço. O “principal destaque das exportações foi a indústria extrativa”, que cresceu 53,5%; somente as vendas de petróleo bruto aumentaram 122,6%, acrescentando cerca de US$ 4,7 bilhões ao desempenho mensal. Agropecuária e indústria de transformação também avançaram, respectivamente, 12,8% e 7,7%.
As duas leituras, portanto, diferem mais na ênfase do que no diagnóstico. Uma aponta diversificação de mercados e recuperação diante das tarifas americanas; a outra evidencia quanto do salto dependeu do petróleo. O saldo é robusto, mas vem acompanhado de dois sinais de cautela: maior concentração no setor extrativo e retração das vendas ao maior parceiro comercial do país.
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