Impeachment unânime derruba Peña, mas crise do Ueno Bank só aumenta

Destituído e detido por suspeitas ligadas ao colapso do Ueno Bank, Santiago Peña foi levado a uma unidade militar após protestos. Ele nega interferência na fiscalização ou participação em irregularidades.
Impeachment unânime derruba Peña, mas crise do Ueno Bank só aumenta

Impeachment unânime derruba Peña, mas crise do Ueno Bank só aumenta
A queda de Santiago Peña foi rápida: impeachment, perda da imunidade e prisão domiciliar em poucas horas. O Senado paraguaio aprovou sua destituição por 44 votos a zero, enquanto o Ministério Público avançava sobre suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis delitos ligados ao colapso do Ueno Bank. Peña nega ter interferido na fiscalização da instituição ou participado de irregularidades financeiras.

Na leitura da oposição, o ponto central é a relação entre poder político, dinheiro público e interesses privados. Durante o governo Peña, órgãos estatais depositaram centenas de milhões de dólares no banco, e o então presidente manteve participação em uma empresa do Grupo Vázquez, controlador da instituição, até março de 2025. A quebra atingiu investidores, paralisou atividades econômicas e transformou uma crise bancária em crise de governo.

Já a cobertura pró-governo ressalta que os enquadramentos por “lesão de confiança”, “tráfico de influência” e “administração para proveito próprio” ainda são preliminares. Os promotores terão de individualizar os fatos e esclarecer possíveis conflitos de interesse envolvendo Peña, pessoas próximas, o Banco Central e as instituições públicas que aplicaram recursos no Ueno Bank.

As duas perspectivas convergem, porém, num ponto: a investigação está apenas começando, apesar do terremoto político já consumado. A pressão também saiu dos gabinetes e chegou às ruas. Após confrontos entre manifestantes e policiais diante da residência de Peña, militares organizaram sua transferência para o Regimento de Escolta Presidencial, sob alegação de risco de infiltração de possíveis agressores.

Pedro Alliana assumiu a Presidência, mas a troca no comando não encerra o caso. Para a oposição, a destituição abriu caminho à responsabilização; para os setores pró-governo, será preciso separar acusações iniciais de provas definitivas. No meio desse choque, o Paraguai tenta medir o tamanho do prejuízo — financeiro, institucional e político.

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