Lula aposta em Alliana para blindar relação com Paraguai após queda de Peña

Brasília busca preservar comércio, energia e integração regional, enquanto a crise do Ueno Bank expõe a turbulência política no Paraguai e deixa o novo presidente sob pressão.
Lula aposta em Alliana para blindar relação com Paraguai após queda de Peña

Lula aposta em Alliana para blindar relação com Paraguai após queda de Peña
Lula reagiu rapidamente à troca de poder no Paraguai. Em vez de se deter na crise que encerrou o governo de Santiago Peña, o presidente brasileiro concentrou sua mensagem na estabilidade da relação bilateral e na abertura de uma nova interlocução com Pedro Alliana.

“Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração na América do Sul”, escreveu Lula. Ele também manifestou o desejo de receber o novo chefe de Estado em Brasília para dar “renovado impulso” aos laços históricos entre os países.

A cobertura de viés governista enquadra o gesto como uma defesa pragmática da integração sul-americana. O pano de fundo, porém, é explosivo: o colapso do Ueno Bank, que administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, abriu investigações sobre empréstimos a empresas ligadas ao próprio conglomerado e sobre as relações de Peña com o grupo controlador.

Já a perspectiva oposicionista põe a crise no centro da transição. Embora Lula sinalize continuidade diplomática, Alliana chega ao cargo após a destituição de Peña por unanimidade entre os 44 senadores presentes. O ex-presidente, que nega irregularidades, foi afastado em meio às denúncias envolvendo o banco. A mudança também não representa alternância partidária: Peña e Alliana pertencem ao Partido Colorado.

As duas leituras convergem em um ponto: Brasília não pretende deixar a turbulência paraguaia interromper a cooperação. Comércio, energia e Mercosul exigem diálogo imediato. A diferença está no foco — de um lado, a oportunidade de relançar a integração; do outro, o peso da crise que acompanhará Alliana até o fim do mandato, previsto para agosto de 2028.

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