Tecidos podem ter salvado trabalhadores — e causado o desabamento no Brás
Tecidos podem ter salvado trabalhadores — e causado o desabamento no Brás
O desabamento do prédio comercial de quatro andares na Rua Maria Joaquina, no Brás, deixou um cenário de destruição — mas, até agora, nenhuma morte confirmada. Entre as pessoas que estavam no imóvel, oito saíram por conta própria e 27 foram retiradas pelas equipes de socorro; quatro homens foram encaminhados à UPA da Mooca com ferimentos leves e em estado estável.
A cobertura de oposição foi além da operação emergencial e colocou a fiscalização no centro do debate. Embora reconheça que ainda não há elementos para atribuir o acidente à omissão do poder público, questiona as condições de conservação, a existência de vistorias e a segurança de imóveis antigos usados por milhares de trabalhadores.
Já veículos do campo pró-governo concentraram-se no risco operacional e na resposta das autoridades. As buscas chegaram a ser suspensas depois que bombeiros ouviram estalos e perceberam movimentações na estrutura. Engenheiros foram chamados, e a retomada ficou condicionada à segurança das equipes. A Polícia Civil também mobilizou sua estrutura para investigar as causas e identificar eventuais responsáveis.
O relato dos funcionários acrescenta um paradoxo à investigação. Rolos de tecido empilhados teriam amortecido os escombros e protegido quem estava dentro. “Por sorte não morreu todo mundo, porque os tecidos seguraram os entulhos”, afirmou um trabalhador. Ao mesmo tempo, empregados suspeitam que o peso do estoque possa ter contribuído para o colapso — hipótese ainda não confirmada.
Assim, os dois enfoques se encontram num ponto decisivo: a causa permanece desconhecida. De um lado, cresce a cobrança por respostas sobre fiscalização e regularidade; de outro, prevalece a cautela técnica enquanto perícia, Defesa Civil e polícia avaliam a estrutura e as responsabilidades.
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