Tecidos podem ter salvado trabalhadores, mas também entram na mira após colapso no Brás

Relatos apontam que rolos de tecido amorteceram os escombros, embora o peso do estoque também seja uma hipótese para a queda. Autoridades ainda investigam as causas e a regularidade do imóvel.
Tecidos podem ter salvado trabalhadores, mas também entram na mira após colapso no Brás

Tecidos podem ter salvado trabalhadores, mas também entram na mira após colapso no Brás
O desabamento do prédio comercial de quatro andares, na noite de sexta-feira (6), produziu duas narrativas que se cruzam entre os escombros. De um lado, trabalhadores descrevem como escaparam. Do outro, autoridades evitam antecipar a causa da queda e concentram-se na perícia e na segurança dos imóveis vizinhos.

Edgar Santana estava em seu primeiro dia de trabalho no local e receberia R$ 60 por carreta descarregada. Preso no último andar e cercado pela poeira, contou que o grupo precisou improvisar: “Quebramos o vidro para entrar ar, senão a gente morria com a poeira do gesso.”

Outros trabalhadores apontaram um paradoxo. Segundo eles, os rolos de tecido empilhados amorteceram a queda dos escombros — “Se não fossem os tecidos, ia morrer quase todo mundo”, afirmou um funcionário. Ao mesmo tempo, o excesso de peso do estoque foi citado como possível causa do colapso, hipótese ainda não confirmada.

As primeiras informações também refletiram a confusão típica de uma emergência em andamento. Um relato inicial mencionava cerca de 25 vítimas e ao menos quatro pessoas sob os escombros. Mais tarde, o balanço dos bombeiros indicou que havia 35 pessoas no imóvel: oito saíram por conta própria, 27 foram resgatadas e quatro homens, com ferimentos leves, foram levados à UPA da Mooca. A corporação informou não ter localizado vítimas soterradas, mas manteve cães farejadores no prédio por precaução.

A investigação agora desloca o foco do resgate para as responsabilidades. Uma das reportagens afirma que o imóvel não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros vigente, certificado relacionado às exigências de segurança contra incêndio e pânico. A Defesa Civil avalia as construções próximas, enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias da queda. O estoque pode ter protegido vidas — mas somente a perícia dirá se também ajudou a colocar a estrutura no chão.

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