Pró-governo diz que R$ 12 bilhões bastam para liberar ônibus nos fins de semana
Pró-governo diz que R$ 12 bilhões bastam para liberar ônibus nos fins de semana
O governo Lula aposta que cerca de R$ 12 bilhões anuais serão suficientes para oferecer transporte urbano gratuito aos sábados, domingos e feriados. A PEC enviada ao Congresso destinaria 26,8% das emendas parlamentares obrigatórias ao programa — dinheiro já previsto no Orçamento, o que, segundo o Planalto, evitaria novas despesas primárias.
Estudo do Ministério das Cidades com o Ipea estima um custo próximo de R$ 11 bilhões para os ônibus. O cálculo analisou cem municípios e considerou a menor circulação nos fins de semana. João Pedro Leme, da Tendências Consultoria, também avalia que os R$ 12 bilhões podem bastar, sobretudo porque algumas cidades já mantêm gratuidade em determinados dias.
O setor empresarial faz uma conta bem diferente. A NTU estima R$ 17 bilhões por ano apenas para ônibus e R$ 20,8 bilhões caso metrôs e trens entrem no programa. A entidade prevê que a gratuidade elevará a demanda e exigirá aumento de aproximadamente 20% na oferta. Ainda assim, seu diretor Marcos Bicalho apoia a criação de financiamento federal: “Para quem não tem nada, ter R$ 12 bilhões já é um primeiro passo”.
Entre os economistas, Tiago Sbardelotto, da XP, calcula que todos os modais exigiriam cerca de R$ 16 bilhões. “Há um risco relevante de que o Tesouro tenha que destinar recursos adicionais para que a proposta seja efetiva”, afirmou. Sem complementação, municípios poderiam reduzir a oferta ou recorrer a subsídios próprios.
Há ainda uma terceira frente: não basta discutir o tamanho do cheque. Rafael Pereira, pesquisador do Ipea, defende contratos mais transparentes, metas de qualidade e regras que impeçam cortes de linhas. Como resumiu, “pode botar todo o dinheiro do mundo, se não melhorar o serviço nem torná-lo mais inclusivo, isso é dinheiro que escoa pelo ralo”. O embate no Congresso será igualmente decisivo: parlamentares podem resistir a perder liberdade sobre quase um quarto das emendas obrigatórias.
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