Lula aposta em recomeço com Alliana após crise derrubar Peña no Paraguai
Lula aposta em recomeço com Alliana após crise derrubar Peña no Paraguai
Lula tratou a troca de comando no Paraguai como uma oportunidade diplomática. Ao felicitar Pedro Alliana, afirmou esperar uma relação “aberta, franca e cooperativa” e disse que pretende recebê-lo em Brasília para dar “renovado impulso” aos laços entre os países.
Alliana respondeu no mesmo tom. “Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade”, escreveu o novo presidente, acrescentando que os dois governos iniciariam uma “relação frutífera”. A cordialidade contrasta com o episódio de julho, quando uma declaração de Lula sobre a Guerra do Paraguai levou o governo de Santiago Peña a convocar o embaixador brasileiro. Na ocasião, foi o próprio Alliana, então vice-presidente, quem entregou a nota de repúdio.
Na cobertura mais favorável ao Planalto, o foco recai sobre integração e comércio. Lula defendeu o “avanço da integração na América do Sul”, enquanto o intercâmbio bilateral foi estimado entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões em 2025, com saldo favorável ao Brasil.
Já as publicações de oposição colocam maior peso sobre a turbulência que levou Alliana ao poder. O Senado paraguaio aprovou por unanimidade o impeachment de Peña, em meio a suspeitas de conflitos de interesses e irregularidades envolvendo recursos públicos e previdenciários depositados no Ueno Bank. Peña nega irregularidades.
O colapso do banco deixou milhões de clientes sem acesso aos depósitos e transformou a transição em um teste imediato para o novo governo. Em seu discurso de posse, Alliana prometeu que os clientes prejudicados receberiam o dinheiro de volta.
As leituras divergem no enquadramento, mas convergem no ponto central: Lula e Alliana querem virar rapidamente a página. Resta saber se a promessa de cooperação resistirá à crise financeira paraguaia e às sensibilidades históricas entre os vizinhos.
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