Prédio cai no Brás, e ausência de vistoria amplia alerta sobre o desastre

O desabamento deixou quatro feridos e mobilizou 51 bombeiros. Enquanto uma apuração aponta possível sobrecarga de tecidos, outra destaca que o imóvel não tinha certificado de segurança vigente.
Prédio cai no Brás, e ausência de vistoria amplia alerta sobre o desastre

Prédio cai no Brás, e ausência de vistoria amplia alerta sobre o desastre
O estrondo que sacudiu o Brás na noite de sexta-feira (6) derrubou grande parte de um prédio comercial de quatro pavimentos, mas preservou a fachada de vidro — e, sobretudo, não deixou mortes confirmadas. As duas apurações concordam que havia 35 pessoas no imóvel: oito saíram por conta própria e 27 foram retiradas pelos bombeiros. Quatro vítimas, em estado estável, seguiram para a UPA da Mooca.

Um dos relatos concentra-se na operação de emergência e na hipótese de que o peso dos tecidos armazenados tenha contribuído para o colapso. Foram mobilizados 51 bombeiros, 17 viaturas e cães farejadores. Cerca de 20 pessoas teriam ficado protegidas em um cômodo cuja laje resistiu. Da vizinhança, Claudneia descreveu a confusão inicial: “Ela olhou e já tinha bastante fumaça. Ela disse: ‘Mãe, não foi um caminhão, a loja caiu’”.

A outra apuração põe maior ênfase nas condições do edifício. Segundo essa versão, trabalhadores descarregavam rolos de tecido e levavam a mercadoria aos andares superiores quando a estrutura cedeu. O ponto mais sensível, porém, é documental: o imóvel “não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) vigente”, certificado que comprova o atendimento às exigências de segurança contra incêndio e pânico.

As diferenças estão mais no foco do que nos números centrais. De um lado, a possível sobrecarga aparece como explicação inicial; de outro, a falta do AVCB amplia as dúvidas sobre a regularidade e a segurança do prédio. Nenhuma das duas questões, por enquanto, fecha o diagnóstico.

Com a área isolada, a Defesa Civil passou a avaliar os imóveis vizinhos, enquanto trabalhadores aguardavam para recuperar celulares, documentos e calçados soterrados. A investigação terá agora de estabelecer se o desastre foi provocado pelo peso da carga, por falhas estruturais, por irregularidades — ou por uma combinação desses fatores.

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