Lula contesta campanha da Globo, mas dados oficiais sustentam alerta sobre fome

O presidente diz que a publicidade distorce a realidade e cobra investigação. Globo e Pacto Contra a Fome afirmam que a estimativa de 7 milhões foi calculada a partir da PNAD do IBGE.
Lula contesta campanha da Globo, mas dados oficiais sustentam alerta sobre fome

Lula contesta campanha da Globo, mas dados oficiais sustentam alerta sobre fome
O embate começou com uma diferença decisiva. Lula afirmou ter visto na televisão que “7 milhões de crianças passam fome” e acusou a campanha apoiada pela Globo de mentir. “Eu quero que investigue pra saber quem é essa entidade que a Globo está apoiando”, declarou o presidente durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética.

A peça, porém, fala em 7 milhões de brasileiros, não de crianças. A mensagem diz: “Você sabe o que vai comer hoje? 7 milhões de brasileiros não”, acrescentando depois que, sem alimentação, muitas crianças têm o futuro ameaçado. Lula também ampliou a crítica à cobertura de seu governo: “Nós temos uma imprensa que […] prefere criticar do que elogiar”.

Para o presidente, os números deveriam levar em conta políticas como a alimentação escolar e os programas federais de combate à fome. A reação também se conecta a uma bandeira política central do Planalto: a saída do Brasil do Mapa da Fome e a melhora recente dos indicadores de segurança alimentar.

Do outro lado, Globo e Pacto Contra a Fome rejeitam a acusação de falsidade. A emissora afirma que a campanha foi produzida pela organização e que os dados vêm da PNAD Contínua, pesquisa oficial do IBGE. O Pacto explica que os 7 milhões são uma aproximação da estimativa de 2024, que apontou 6,48 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave.

Há, portanto, concordância sobre os avanços — o próprio Pacto os reconhece —, mas choque sobre a mensagem. Lula considera que a publicidade apaga resultados do governo; os responsáveis pela campanha argumentam que a melhora não elimina a urgência. Segundo o IBGE, a insegurança alimentar grave caiu de 4,1% para 3,2% entre 2023 e 2024: um recuo relevante, embora milhões ainda permaneçam na condição mais severa.

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