Interlagos segura a F1 até 2035, mas expansão no Brasil fica fora da pista
Interlagos segura a F1 até 2035, mas expansão no Brasil fica fora da pista
A bandeirada para 2035 veio sem grande disputa: veículos de perspectivas políticas distintas apresentaram a renovação do GP de São Paulo como uma conquista para a capital. O novo acordo amplia em cinco anos o contrato anterior, que terminaria em 2030, e preserva Interlagos como a casa brasileira da Fórmula 1.
Na cobertura pró-governo, o foco recai sobre a força histórica e popular da etapa. O presidente e CEO da F1, Stefano Domenicali, afirmou que “o Brasil é uma parte importante da história da F1 e do nosso futuro” e classificou como “extraordinária” a paixão dos torcedores. O argumento é reforçado pelo avanço de público: foram 303.627 espectadores em 2025, contra 291.717 no ano anterior.
Já a cobertura de oposição enfatiza os dividendos concretos do evento e os compromissos públicos envolvidos. O acordo prevê a continuidade dos investimentos da Prefeitura na modernização do Autódromo José Carlos Pace. Segundo a organização, o GP movimentou cerca de R$ 2,3 bilhões em 2025, alta de 9,7% sobre 2024. Para o prefeito Ricardo Nunes, a prova “movimenta a economia, gera empregos, fortalece o turismo e projeta internacionalmente a nossa cidade”.
As duas leituras, portanto, mais se complementam do que se confrontam: uma celebra tradição, torcida e permanência; a outra ressalta retorno econômico, turismo e infraestrutura. O ponto de tensão está fora desse consenso. A Argentina reforma o autódromo de Buenos Aires e pressiona para voltar ao calendário, ausente desde 1998.
Interlagos, porém, larga na frente: tem contrato longo, público crescente e uma corrida sprint prevista para 2027. A renovação consolida São Paulo, mas também deixa claro que a prioridade da F1 no Brasil continua sendo uma só pista.
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