Pró-governo diz que Eisenkot tem maioria no papel, mas coalizão ainda é incerta

Eisenkot recebeu 67 recomendações e terá 28 dias para formar uma coalizão. O apoio árabe enfraquece Netanyahu, mas expõe a contradição central da oposição: sustentar um governo sem participar dele.
Pró-governo diz que Eisenkot tem maioria no papel, mas coalizão ainda é incerta

Pró-governo diz que Eisenkot tem maioria no papel, mas coalizão ainda é incerta
O presidente Isaac Herzog entregou a Gadi Eisenkot a primeira chance de romper a longa permanência de Benjamin Netanyahu no poder. O líder oposicionista parte com 67 recomendações — seis acima da maioria parlamentar — e terá 28 dias, prorrogáveis por mais 14, para transformar apoio formal em governo. “Este é o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que estejamos à altura da responsabilidade”, afirmou Eisenkot.

Os números favorecem o ex-chefe militar, mas escondem uma coalizão delicada. Seu bloco reúne apenas 48 cadeiras; as outras 19 recomendações vieram de dois partidos árabes. Eisenkot quer que essas legendas funcionem como sustentação externa, sem integrar o gabinete. Entre as condições impostas aos futuros parceiros estão o reconhecimento de Israel como Estado “judeu, democrático, liberal e igualitário”, o serviço universal e a classificação do Hamas como organização terrorista — exigências que, na prática, afastam os partidos árabes do Executivo.

Netanyahu, por sua vez, mantém o maior partido individual: o Likud conquistou 27 cadeiras, e sua aliança nacionalista e religiosa chegou a 53. Ainda assim, recebeu somente 46 recomendações. A ruptura mais simbólica veio do Judaísmo Unido da Torá, aliado histórico que se recusou a indicá-lo após o impasse sobre a isenção militar para homens ultraortodoxos.

O contraste é evidente: Netanyahu venceu em votos partidários, mas Eisenkot venceu a disputa por apoios. Os representantes árabes, decisivos para essa virada, também querem afastar o atual governo. Ahmad Tibi, da Lista Conjunta, disse que pretende fazer o que não foi feito antes para “remover este governo criminoso”. Netanyahu contestou o resultado e acusou partidos árabes de roubo, enquanto o Comitê Eleitoral Central afirmou que a integridade da eleição não foi comprometida.

Eisenkot, portanto, começa à frente — mas dependerá justamente de forças que não pretende levar para dentro do governo. Se fracassar, Israel poderá enfrentar novas rodadas de negociação e, no limite, outra eleição.

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