Peña fica preso enquanto acusação e defesa travam batalha pelo caso Ueno

Promotores apontam favorecimento e risco de obstrução, enquanto Santiago Peña nega crimes e diz ter buscado preservar a estabilidade do Paraguai. O colapso do Ueno Bank expõe suspeitas sobre recursos públicos e fiscalização.
Peña fica preso enquanto acusação e defesa travam batalha pelo caso Ueno

Peña fica preso enquanto acusação e defesa travam batalha pelo caso Ueno
Santiago Peña compareceu ao Ministério Público, mas permaneceu em silêncio diante dos promotores que investigam o colapso do Ueno Bank. O ponto central da apuração é explosivo: saber se o então presidente usou influência política para favorecer o grupo controlador da instituição, da qual foi acionista até março de 2025.

A oposição enxerga conflito de interesses. Parlamentares destacam que o banco administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos e entidades previdenciárias. Também questionam se o Banco Central detectou problemas meses antes da liquidação, mas demorou a agir. Nessa leitura, os vínculos de Peña com o Grupo Vázquez não seriam apenas empresariais: teriam influenciado decisões do Estado.

O Ministério Público avançou além da disputa política. Peña foi acusado de lesão de confiança e administração em proveito próprio, sob suspeita de interferir em órgãos públicos e de não assegurar fiscalização adequada do banco. Promotores também pediram o bloqueio de seus bens e contas.

A Justiça, por sua vez, enfatizou os riscos processuais. Ao decretar a prisão preventiva, o juiz Humberto Otazú afirmou que a permanência de Peña no país precisava ser garantida e considerou a possibilidade de obstrução da investigação. O ex-presidente ficará sob custódia no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção.

Peña rejeita qualquer crime. Antes da destituição, disse ter apresentado a renúncia para evitar novos danos ao país: “Não quero que minha presença seja causa de maior divisão ou instabilidade”. A renúncia, porém, não foi votada por falta de quórum, e o Senado aprovou seu afastamento por 44 votos.

Enquanto acusação e defesa disputam a narrativa, o prejuízo concreto recai sobre os clientes. O Ueno fechou por falta de solvência; segundo o Banco Central, 1,2 milhão de correntistas já receberam valores congelados por meio do fundo garantidor.

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