Alliana herda crise explosiva e corre para blindar o Paraguai

Após o impeachment e a prisão de Santiago Peña, o novo presidente promete firmeza diante da crise bancária enquanto busca preservar relações estratégicas, começando por uma rápida aproximação com o Brasil.
Alliana herda crise explosiva e corre para blindar o Paraguai

Alliana herda crise explosiva e corre para blindar o Paraguai
Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai em 6 de novembro de 2026, horas depois de o Senado destituir Santiago Peña por 44 votos e uma abstenção. O ex-presidente, que tentou renunciar antes da conclusão do processo, foi preso sob acusações relacionadas ao colapso do Ueno Bank, incluindo conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários.

A dimensão financeira dá à troca de comando um peso que vai além da disputa política. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e US$ 850 milhões em depósitos públicos. Peña havia sido acionista do grupo controlador até março de 2025. Em sua primeira mensagem como presidente, Alliana procurou responder à cobrança por estabilidade: “Nosso país atravessa momentos difíceis que nos exigem serenidade, trabalho e decisões firmes. É tempo de colocar o Paraguai e seu povo acima de tudo”.

Se internamente o novo governo precisa enfrentar as consequências do escândalo, no exterior a prioridade é demonstrar continuidade. Por instrução de Alliana, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano abriu conversas com representantes de outros governos e telefonou ao ministro brasileiro Mauro Vieira um dia após a queda de Peña.

O gesto foi correspondido por Luiz Inácio Lula da Silva, que desejou êxito ao novo presidente e defendeu uma relação “aberta, franca e cooperativa”. Alliana respondeu 32 minutos depois, reforçando a proximidade bilateral: “Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciamos uma frutífera relação em homenagem a nossos povos”.

As duas frentes se complementam, mas não se confundem. A oposição e o Legislativo enfatizam responsabilização pela quebra bancária; a nova administração tenta convencer paraguaios e parceiros de que a ruptura institucional terminou na posse. A velocidade da interlocução com Brasília revela a aposta: conter a crise doméstica sem deixar que ela contamine a posição regional do Paraguai.

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