Prisão de Peña acirra choque entre acusação e defesa no caso Ueno Bank

Promotores apontam risco de fuga, obstrução e uso do cargo em favor do banco; a defesa nega irregularidades e aposta no arquivamento do processo contra o ex-presidente.
Prisão de Peña acirra choque entre acusação e defesa no caso Ueno Bank

Prisão de Peña acirra choque entre acusação e defesa no caso Ueno Bank
A queda política de Santiago Peña ganhou um capítulo judicial imediato. Um dia após sua destituição, o juiz Humberto Otazú decretou a prisão preventiva do ex-presidente e determinou que ele permaneça no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção. A decisão acolheu o argumento de que havia risco de fuga e de interferência na investigação. “Sua permanência no país deve ser garantida”, afirmou o magistrado.

A Promotoria sustenta que Peña teria cometido lesão de confiança e administração em proveito próprio no caso do Ueno Bank. Segundo a acusação, ele pode ter influenciado órgãos públicos e estatais a manter recursos na instituição, apesar de seus vínculos anteriores com o grupo controlador. O ex-presidente foi acionista da Ueno Holding até março de 2025. A defesa, porém, nega as acusações: o advogado Ricardo Preda disse que Peña colaborará com as apurações e espera o arquivamento do caso.

As medidas não ficaram restritas à prisão. A Justiça também determinou o bloqueio dos bens e ativos financeiros de Peña. O ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo Spalding, investigado no mesmo processo, também teve a prisão preventiva decretada, segundo um dos relatos publicados neste sábado. Outra reportagem, possivelmente produzida antes da decisão, afirmava que o pedido contra Carvallo ainda aguardava análise judicial.

Acusação e defesa concordam apenas sobre o próximo terreno da disputa: os autos. Peña permaneceu em silêncio diante das autoridades, enquanto os promotores apontam sua antiga relação empresarial, o colapso do banco e o acesso privilegiado a informações como sinais de risco processual. Seus advogados, em contraste, tratam essas conexões como insuficientes para comprovar crime. Agora, a crise que derrubou um presidente passa a testar também a capacidade da Justiça paraguaia de separar influência política, responsabilidade administrativa e culpa penal.

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