Pró-governo diz que morte de Richard Lloyd encerra um capítulo essencial do punk nova-iorquino
Pró-governo diz que morte de Richard Lloyd encerra um capítulo essencial do punk nova-iorquino
Richard Lloyd, guitarrista e fundador do Television, morreu aos 75 anos em sua casa no Tennessee. Segundo comunicado da família citado pela imprensa, a causa foi um câncer das vias biliares diagnosticado em março. Ele deixa a mulher, Sheila O’Keefe Lloyd, o filho, Dylan, e o irmão, Eric.
Os dois relatos disponíveis concordam sobre o tamanho de seu legado, mas chegam a ele por caminhos distintos. O primeiro situa Lloyd no centro da cena formada em torno do CBGB nos anos 1970. Ao lado de Tom Verlaine, ele desenvolveu o diálogo entre guitarras que separou o Television de boa parte do punk: em vez de apenas canções curtas e acordes básicos, o grupo combinava ritmos angulosos, influência do jazz e improvisos extensos.
Essa ambição ganhou forma definitiva em Marquee Moon, de 1977. Embora o disco e seu sucessor, Adventure, não tenham alcançado grande repercussão comercial nos Estados Unidos, a influência do Television atravessou gerações — de R.E.M. e Sonic Youth a U2 e Pavement. David Bowie chegou a considerar a banda “o grupo mais original que havia visto em Nova York”.
O segundo relato troca parte desse panorama histórico por um retrato mais pessoal. Nele, Lloyd aparece como um músico marcado pelo “virtuosismo nas seis cordas”, mas também por batalhas públicas contra a dependência química e problemas de saúde mental. O desgaste interno e os conflitos com Verlaine contribuíram para sua saída da formação clássica em 1978.
As abordagens se completam: uma enfatiza a sofisticação que expandiu os limites do punk; a outra mostra o custo humano por trás dessa inovação. Depois do Television, Lloyd lançou nove álbuns solo, participou de reuniões da banda e manteve viva uma obra cujo impacto foi muito maior que seus números de vendas.
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