Pró-governo diz que protesto francês ganhou seu próprio “Gostoso da Paulista”
Pró-governo diz que protesto francês ganhou seu próprio “Gostoso da Paulista”
Uma bandeira nacional erguida, o torso nu e uma pose de impacto no alto da multidão. A fotografia feita por Hannah McKay, da Reuters, durante os protestos de quinta-feira (5), na Praça da República, em Paris, levou brasileiros a compararem o manifestante anônimo a Israel Augusto Gomes dos Santos, conhecido como “Gostoso da Paulista”. Entre as reações, surgiram frases como “O gostoso da Paulista versão Delacroix” e “Brasil exportando manifestações”.
A leitura brasileira aposta no reconhecimento imediato de uma celebridade digital. Já especialistas em comunicação enxergam uma referência mais antiga: a combinação entre bandeira, monumento e personagem elevado recupera a iconografia das revoluções francesas. A menção a Eugène Delacroix e à pintura A Liberdade Guiando o Povo, de 1830, reforçou essa interpretação. Assim, a mesma cena passou a circular entre dois repertórios — o humor das redes brasileiras e a tradição revolucionária francesa.
A semelhança, porém, termina na imagem. No Brasil, Israel foi identificado após uma manifestação de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Avenida Paulista, conquistou centenas de milhares de seguidores e passou a dar entrevistas. Na França, a imprensa manteve o foco nas mobilizações contra o custo de vida, pela valorização salarial e nas reivindicações estudantis. Nas legendas da Reuters, o homem aparece somente como “um manifestante”; sua identidade não foi divulgada.
O contraste é claro: enquanto o brasileiro se tornou mais famoso que a própria fotografia, o francês permaneceu como símbolo anônimo de um movimento coletivo. O chamado “Gostoso de Paris”, portanto, pode existir apenas no olhar brasileiro — uma adaptação bem-humorada que conecta protestos distintos por meio de uma composição visual semelhante.
https://resumosbrasil.com/stories/01a1baef-60db-2fd1-7344-36a6c2313d6b
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