Pró-governo diz que mensalidades escolares podem disparar até 14,9% em 2027

Colégios atribuem os reajustes a salários, despesas operacionais e mudanças trabalhistas, enquanto famílias recorrem à negociação e à antecipação de matrículas para reduzir o impacto.
Pró-governo diz que mensalidades escolares podem disparar até 14,9% em 2027

Pró-governo diz que mensalidades escolares podem disparar até 14,9% em 2027
As mensalidades das escolas particulares devem subir entre 7% e 10% em 2027 — acima da inflação de 5,22% projetada para o fim de 2026. Um levantamento com 580 instituições aponta reajuste médio de 9%, pressionado por gastos com salários, energia, água, materiais, manutenção e tecnologia.

O setor argumenta que ainda carrega perdas acumuladas desde a pandemia, quando concedeu descontos para evitar a saída de alunos e investiu às pressas no ensino digital. Segundo Christian Coelho, CEO do Grupo Rabbit, a margem líquida das escolas gira em torno de 5,4%, nível que considera insuficiente até para bancar manutenção predial.

A maior divergência está em como — e quando — incorporar os custos atribuídos ao fim da escala 6×1. O Colégio Cruzeiro elevou sua previsão de reajuste de 9,5% para 14,9%, mas prometeu rever o índice caso a regulamentação reduza as despesas: “a instituição ajustará seu orçamento, reduzirá as mensalidades e restituirá aos responsáveis financeiros eventuais diferenças já pagas”.

Outras escolas preferiram absorver ou adiar parte do impacto. O Santo Inácio fixou alta de 7,8% e reservou recursos para a mudança, sacrificando projetos e melhorias. Já o Tamandaré aplicará 8% e deixará o repasse trabalhista para 2028. Em São Paulo, o Bandeirantes prevê aumentos de 6,72% a 10,04%, conforme a turma, além de parcelamento da rematrícula e desconto para pagamento anual.

Do outro lado da conta, famílias buscam antecipar matrículas, reaproveitar materiais e negociar abatimentos. O economista André Braz, da FGV Ibre, lembra que bom desempenho escolar ou mais de um filho matriculado podem ampliar o poder de barganha. Assim, enquanto os colégios defendem recomposição financeira, os responsáveis transformam fidelidade e pagamento antecipado em armas contra um reajuste que pode superar, com folga, a inflação.

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