Maioria reprova ida de Flávio aos EUA, mas bolsonaristas fecham fileiras
Maioria reprova ida de Flávio aos EUA, mas bolsonaristas fecham fileiras
A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos tornou-se um raro ponto de convergência na cobertura política: veículos pró-governo e de oposição destacam a ampla reprovação registrada pela Quaest. Segundo o levantamento, 62% consideram a decisão “errada”, ante 29% que a julgam “certa”; outros 9% não responderam.
A concordância termina quando entram em cena as razões atribuídas à viagem. No conjunto do eleitorado, 56% dizem que Flávio saiu para “fugir da Justiça”, enquanto 35% entendem que ele buscou “se proteger de perseguição política”. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas, entre 30 de outubro e 2 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%.
O contraste ideológico é contundente. Entre bolsonaristas, 90% aprovam a ida aos EUA; entre lulistas, 92% a reprovam. Os independentes se aproximam da avaliação nacional: 63% consideram a decisão errada, contra 21% que a apoiam. Já a direita não bolsonarista aparece praticamente rachada — 46% aprovam a saída e 45% a rejeitam.
Essa divisão também muda a explicação do episódio. Na direita não bolsonarista, 51% aderem à interpretação de perseguição política e 42% veem fuga da Justiça. Entre bolsonaristas, a tese de perseguição chega a 93%; entre apoiadores de Lula, 82% apontam tentativa de escapar da Justiça.
Apesar das diferenças de ênfase, as duas frentes de cobertura chegam ao mesmo retrato: o episódio ultrapassou as bolhas. A viagem era conhecida por 89% dos entrevistados, enquanto 60% avaliaram que Flávio agiu mal após a derrota eleitoral. Além disso, 61% classificaram as eleições como “limpas e justas”, contra 30% que apontaram fraude.
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