Planejamento digital e tecnologia 3D tornam implantes dentários mais precisos e menos invasivos

A cirurgia para colocação de implantes dentários pode começar antes mesmo de o paciente entrar no centro cirúrgico. Com a combinação de tomografia computadorizada, escaneamento intraoral e programas de planejamento tridimensional, dentistas conseguem criar uma representação digital da boca e simular diferentes etapas do procedimento.
Planejamento digital e tecnologia 3D tornam implantes dentários mais precisos e menos invasivos

A cirurgia para colocação de implantes dentários pode começar antes mesmo de o paciente entrar no centro cirúrgico. Com a combinação de tomografia computadorizada, escaneamento intraoral e programas de planejamento tridimensional, dentistas conseguem criar uma representação digital da boca e simular diferentes etapas do procedimento. O chamado planejamento digital permite analisar a estrutura óssea, a posição dos dentes e a proximidade de regiões que exigem atenção, como nervos e seios maxilares.

A partir dessas informações, o profissional define no computador o comprimento, a inclinação, a profundidade e o local previsto para cada implante. O plano virtual também pode ser usado para produzir um guia cirúrgico personalizado. Geralmente confeccionado com tecnologia de impressão 3D, o dispositivo é encaixado na boca do paciente e possui aberturas que orientam a passagem das brocas durante a cirurgia. Essa etapa é conhecida como cirurgia guiada.

Segundo o cirurgião-dentista Henrique Tuzzolo, especialista em implantes e próteses dentárias, mestre em Prótese Dentária e doutor em Diagnóstico Bucal pela Universidade de São Paulo (USP), o principal avanço está na possibilidade de reunir informações anatômicas e protéticas antes do procedimento.
“É possível estudar virtualmente a posição do implante e sua relação com o osso, os dentes vizinhos e a prótese que será colocada. O planejamento antecipa decisões que, anteriormente, dependiam mais das condições encontradas durante a cirurgia”, explica.

Como o planejamento é feito
O processo costuma começar com uma tomografia computadorizada de feixe cônico, exame que produz imagens tridimensionais das estruturas ósseas da face. O paciente também pode passar por um escaneamento intraoral, no qual uma câmera registra o formato dos dentes e da gengiva. Os dois exames são combinados em um software. O dentista utiliza o modelo digital para simular a instalação do implante e planejar a futura prótese. Na chamada técnica de planejamento reverso, o profissional primeiro determina como deverá ficar o dente que será reconstruído. Depois, estabelece a posição do implante que dará sustentação à prótese.
“O objetivo não é simplesmente colocar o implante no lugar em que existe maior quantidade de osso. É preciso considerar como será a futura prótese, a distribuição das forças da mastigação, a higiene e o resultado estético”, afirma Tuzzolo.
Depois que o planejamento é concluído, o arquivo digital pode ser enviado para a fabricação do guia cirúrgico. Durante o procedimento, o dispositivo ajuda a transferir para a boca a posição estabelecida no computador.

Técnica pode reduzir a necessidade de cortes
Em alguns pacientes, a cirurgia guiada permite instalar o implante por meio de uma pequena abertura na gengiva, sem a realização de incisões extensas. Essa abordagem pode diminuir o trauma nos tecidos e reduzir o tempo do procedimento. Isso não significa, entretanto, que toda cirurgia guiada seja realizada sem cortes ou pontos. A possibilidade depende da quantidade de osso, da espessura da gengiva, da necessidade de enxerto e das características de cada caso.
“Há situações em que precisamos visualizar diretamente o osso ou realizar procedimentos complementares. A decisão de fazer uma cirurgia com menor abertura da gengiva precisa ser clínica, e não apenas tecnológica”, diz o especialista.

Planejamento virtual não elimina desvios
Apesar do nome, a cirurgia guiada não deve ser entendida como um procedimento automático. Pequenas diferenças podem ocorrer entre a posição planejada no computador e a posição final do implante. A precisão depende da qualidade da tomografia e do escaneamento, da integração correta dos arquivos, da fabricação do guia e de sua estabilidade na boca durante a cirurgia. Movimentos do dispositivo ou erros acumulados em diferentes etapas podem comprometer o resultado.

Por isso, estruturas anatômicas importantes precisam ser protegidas por margens de segurança. O dentista também deve estar preparado para abandonar ou modificar o planejamento digital caso encontre uma condição diferente durante o procedimento.
“O guia auxilia a execução, mas não substitui o conhecimento de anatomia, a experiência cirúrgica nem a capacidade de tomar decisões durante a operação. A tecnologia precisa ser tratada como uma ferramenta de planejamento e precisão”, afirma Tuzzolo.

Nem todos os pacientes podem utilizar a técnica
A indicação depende da avaliação clínica, dos exames de imagem e do tipo de reabilitação necessária. Casos com pouca abertura da boca, dificuldade de estabilização do guia, necessidade de grandes enxertos ou limitações anatômicas podem exigir outra estratégia.
Também é necessário considerar a exposição à radiação da tomografia. O exame deve ser solicitado quando houver justificativa clínica e quando suas informações puderem influenciar o diagnóstico ou o planejamento do tratamento. Para Tuzzolo, a digitalização não torna automaticamente uma técnica superior a outra.
“A cirurgia convencional continua sendo segura e eficaz quando bem indicada. O planejamento digital amplia a quantidade de informações disponíveis, mas a escolha deve considerar a situação do paciente e não apenas a existência da tecnologia”, conclui.

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