Tarifaço de Trump vira arma da direita contra Lula enquanto governo aposta na Lei de Reciprocidade

O governo brasileiro reagiu à imposição de tarifas de 25% pelos EUA, chamando a medida de "marco lamentável" e anunciando retaliação. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei de Reciprocidade Econômica será aplicada "no momento adequado", enquanto ministros criticaram a ofensiva americana como "injusta" e "sem fundamento".
Tarifaço de Trump vira arma da direita contra Lula enquanto governo aposta na Lei de Reciprocidade

Tarifaço de Trump vira arma da direita contra Lula enquanto governo aposta na Lei de Reciprocidade
A tarifa extra de 25% imposta por Donald Trump a produtos brasileiros virou menos um debate técnico de comércio exterior e mais uma guerra de narrativa doméstica. De um lado, o governo Lula promete reação calculada com a Lei de Reciprocidade. Do outro, a direita tenta cravar na testa do Planalto o rótulo de “Partido do Tarifaço”.

Governo Lula: tarifa “injusta” e resposta calibrada

Na versão oficial, o Brasil é vítima de uma ofensiva “injusta” e “descabida” dos EUA, movida por revanchismo político e por argumentos “falsos” sobre Pix, regulação digital, etanol e desmatamento. O vice-presidente Geraldo Alckmin diz que a Lei da Reciprocidade Econômica será acionada “no momento adequado”, ressaltando que, pelos próprios dados americanos, os EUA têm superávit comercial com o Brasil há 15 anos.

A linha do Planalto é combinar ameaça de retaliação com colchão de proteção interno: apoio financeiro aos setores atingidos e esforço de Apex e ABDI para abrir novos mercados e reduzir a dependência dos EUA. Outra frente é jurídica: questionar a investigação americana aberta com base na Seção 301 da lei de comércio dos EUA.

Direita: “Partido do Tarifaço” e diplomacia suicida

A oposição vê o contrário: para a direita, o tarifaço é fruto direto da diplomacia de confronto de Lula. A Gazeta do Povo destaca o governo “reiterando acusações contra os EUA e ameaçando reciprocidade” como reação politizada à medida de Trump. Outro texto explica o alcance da própria Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra Washington, sugerindo risco de escalada que pode sair caro à economia.

Nas redes, o tom sobe ainda mais. Paulo Figueiredo acusa Lula de provocar Trump “na véspera da decisão sobre tarifas” e o chama de “vagabundo vendido”, dizendo que a direita fez “de tudo para evitar as tarifas”. Flávio Bolsonaro, em post repercutido por Allan dos Santos, rotula o PT como “Partido do Tarifaço” e atribui o golpe às “62 vezes” em que Lula teria atacado os EUA em três anos e meio, denunciando “a completa falta de diplomacia desse governo incompetente”.

Enquanto o Planalto fala em defesa da soberania e retaliação estratégica, a direita martela que o prejuízo veio de graça — e por ideologia. No meio, exportadores brasileiros contam o tempo em dólares, não em narrativas.

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