Direita brasileira diz que Amazônia virou ‘farra do crime’ por culpa do Estado ausente

Um estudo do Instituto Igarapé revelou que pelo menos 30 grupos criminosos armados, incluindo facções brasileiras, colombianas e venezuelanas, estão operando na região amazônica. A área, que antes era uma rota de tráfico de drogas, transformou-se em uma fronteira econômica criminal complexa, com atividades que incluem mineração ilegal, grilagem de terras e extração de recursos.
Direita brasileira diz que Amazônia virou ‘farra do crime’ por culpa do Estado ausente

Direita brasileira diz que Amazônia virou ‘farra do crime’ por culpa do Estado ausente
A mesma Amazônia que o governo vende como vitrine verde virou, segundo a direita brasileira, uma espécie de “shopping center” para facções armadas. No centro da disputa está uma pergunta incômoda: a floresta é fronteira ambiental ou fronteira do crime – e quem abandonou o território?

Direita: omissão do Estado, poder do crime

Para veículos alinhados à direita, o novo estudo do Instituto Igarapé só confirma o diagnóstico de terra sem lei. A Amazônia Legal deixou de ser mera rota de passagem do narcotráfico para se tornar “uma das fronteiras econômicas criminosas mais complexas do mundo”, com pelo menos 30 grupos armados em operação.

Esses grupos – de Comando Vermelho e PCC a dissidências das FARC, ELN e o venezuelano Tren de Aragua – exploram não só drogas, mas garimpo ilegal, grilagem de terras e cobrança de taxas em áreas mineradoras, integrando ouro, madeira, carne e soja ilegais às cadeias globais por meio de documentos falsos e lavagem sofisticada. Para a direita, isso é prova de um “Estado ausente” que perdeu o controle de rios, estradas e fronteiras.

Outro relato destaca que a região virou “uma das principais fronteiras de expansão do crime organizado na América Latina”, com mais de 30 grupos disputando rios, pistas clandestinas, comunidades e corredores logísticos, enquanto controlam transporte fluvial, cobram “impostos” de garimpeiros e decidem quem pode trabalhar em terras disputadas. A infiltração na economia formal – de ouro misturado ao legal a combustíveis adulterados – seria sintoma de um colapso de fiscalização que favorece o crime em escala industrial.

Pesquisadores: não é só polícia, é modelo de desenvolvimento

Os autores do estudo, porém, desenham um quadro mais amplo: o crime organizado na região “é muito mais do que um problema de aplicação da lei, mas engloba negócios, desenvolvimento e a própria democracia”. Em outras palavras, sem atacar a economia criminosa e seus vínculos globais, o punitivismo isolado – preferido pela direita – não basta.

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