Fim da escala 6x1 expõe racha entre custo Brasil e “sabotagem” do Senado
Fim da escala 6x1 expõe racha entre custo Brasil e “sabotagem” do Senado
A promessa de reduzir a jornada para 40 horas semanais e acabar com a escala 6x1 virou campo de batalha: para uns, é alívio histórico para o trabalhador; para outros, uma bomba de custos em setores que não podem desligar as luzes nem de madrugada.
De um lado, a imprensa econômica ligada à direita foca na matemática e no caixa das empresas. A Gazeta do Povo destaca que o fim da 6x1 e a redução para 40 horas chacoalham regimes especiais como a 12x36, muito usada em saúde e segurança, mas não os extinguem automaticamente. O recado é: a 12x36 sobrevive, porém com amarras — mais negociação coletiva, horas extras em semanas longas e reorganização de escalas, inclusive aos sábados. A conta é salgada: só na segurança e na saúde, a estimativa é de aumento de até 20% nos custos operacionais, puxado por cerca de 8,7 horas extras mensais por trabalhador.
Do outro lado, a esquerda não está preocupada com a planilha, mas com a política. Para Brasil 247, o Senado, sob comando de Davi Alcolumbre, está “sabotando” uma pauta de interesse direto da classe trabalhadora ao deixar a PEC do fim da 6×1 parada durante o recesso, mesmo após aprovação na Câmara. O foco é o gesto político: enquanto a Câmara aprovou a redução da jornada, o Senado trava e prioriza agendas com empresários e uma PEC alternativa da oposição.
Já o Brasil de Fato insere o tema num pacote de demandas dos movimentos sociais — junto com o projeto que criminaliza a misoginia — e aponta o recesso como manobra que empurra para agosto uma mudança central na vida de quem trabalha em escala exaustiva. Para a deputada Maria do Rosário, falta pressão direta sobre Alcolumbre para destravar uma proposta que já passou pela Câmara e continua “sem justificativa” para não ser pautada.
Em resumo, enquanto a direita grifa o impacto no custo Brasil e na operação de hospitais e empresas de segurança, a esquerda denuncia o freio político do Senado e cobra que a “folga” de agosto venha primeiro para o trabalhador, não para o plenário.
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