Rombo no Rioprevidência vira munição política: PGE enquadra Grupo Master e pressiona herança de Cláudio Castro

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) ajuizou ações contra a Master Corretora e gestoras de fundos de investimento por um prejuízo de R$ 641,4 milhões ao Rioprevidência. As ações investigam aportes em fundos do Grupo Master que teriam sido alvo de manipulação e alterações prejudiciais aos cotistas.
Rombo no Rioprevidência vira munição política: PGE enquadra Grupo Master e pressiona herança de Cláudio Castro

Rombo no Rioprevidência vira munição política: PGE enquadra Grupo Master e pressiona herança de Cláudio Castro
O rombo de mais de R$ 640 milhões no Rioprevidência saiu das planilhas e entrou na arena política: o mesmo caso que a Procuradoria do Rio trata como fraude financeira agora é usado tanto para cobrar responsabilização de gestores quanto para expor o legado do ex-governador Cláudio Castro.

De um lado, a direita comemora o movimento da PGE como reação tardia, mas necessária, ao que classifica como “rombo milionário” em fundos de alto risco do Grupo Master, hoje em liquidação extrajudicial. A narrativa enfatiza que o estado “vai à Justiça para recuperar R$ 641 milhões aplicados em fundos do Master” e detalha o pedido de bloqueio de bens para tentar ressarcir os cofres públicos. A lupa recai sobre os fundos Revolution e Texas I FIA, onde o prejuízo somado alcança R$ 616,6 milhões, com suspeita de manipulação de preços e descumprimento das regras da CVM.

Ainda à direita, o foco político é direto: a Polícia Federal investiga a aplicação de cerca de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência em fundos de alto risco ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com “suposta influência direta do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ)”. O caso é enquadrado como símbolo de promiscuidade entre governo e mercado financeiro.

Do outro lado, a esquerda descreve o mesmo enredo com ênfase técnica e criminal. CartaCapital sublinha que a PGE “cobra Grupo Master por prejuízo de R$ 640 mi ao Rioprevidência” e destaca a “compra coordenada” de ações da Ambipar pela gestora Trustee DTVM — já ligada à Operação Carbono Oculto — para inflar artificialmente os papéis vendidos ao fundo Texas I FIA. No Revolution, a ênfase está nas alterações de regulamento que retiraram direitos de voto e alongaram em 48 meses a amortização, prejudicando diretamente os cotistas públicos.

Direita e esquerda concordam em um ponto: o Rioprevidência foi “vítima de uma armadilha” montada na gestão dos fundos. Divergem, porém, na moldura: para uns, é mais um escândalo de aliados do PL; para outros, é um caso exemplar de captura do dinheiro da aposentadoria por engrenagens financeiras e políticas que seguem, em grande parte, as mesmas.

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