Morte de Renato Machado expõe duelo de narrativas entre direita e esquerda sobre a Globo
Morte de Renato Machado expõe duelo de narrativas entre direita e esquerda sobre a Globo
A morte de Renato Machado, aos 83 anos, não encerra apenas a trajetória de um dos rostos mais conhecidos do telejornalismo brasileiro. Ela também reabre a disputa sobre o papel da TV Globo — e da grande mídia — na formação da opinião pública do país.
De um lado, a cobertura à esquerda enfatiza o legado profissional e a modernização do telejornalismo. A Revista Fórum destaca Renato como “um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro” e lembra sua marca em programas como Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e RJTV, além da cobertura de grandes eventos históricos, de Chernobyl ao impeachment de Collor e à morte de Ayrton Senna. O foco é técnico e histórico: o reformador de telejornais, o editor-chefe que ajudou a tornar o noticiário mais dinâmico, com mais interação e entradas ao vivo.
Do outro lado, a direita entra na pauta por outra via, mas não resiste a também enquadrar Renato como símbolo de uma era da Globo. A Revista Oeste, geralmente crítica à emissora, registra sua morte em tom neutro, chamando-o de “ex-âncora da Globo” e sublinhando sua projeção em mais de 40 anos de casa, da bancada do Bom Dia Brasil ao posto de correspondente em Londres, cobrindo Guerra das Malvinas e atentados em Paris.
Curiosamente, a mesma Oeste que dedica espaço a atacar agendas “globalistas” e discutir mercado de carbono e governança corporativa no agro trata aqui de forma quase protocolar um dos rostos clássicos da Globo. A esquerda, que vê a emissora como parte da elite midiática, assume o papel de guardiã da memória profissional.
O resultado: na morte de Renato Machado, Globo continua sendo o personagem oculto. E é ao redor dela — mais do que do próprio jornalista — que direita e esquerda medem forças.
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