Colômbia troca Petro por ultradireita e vira a chave com Israel abrindo embaixada em Jerusalém

O futuro ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, e o chanceler de Israel, Gideon Sa’ar, concordaram em retomar as relações diplomáticas entre os dois países. O acordo, feito em Washington, prevê que a Colômbia abrirá uma embaixada em Jerusalém. As relações haviam sido rompidas em maio de 2024 pelo presidente Gustavo Petro.
Colômbia troca Petro por ultradireita e vira a chave com Israel abrindo embaixada em Jerusalém

Colômbia troca Petro por ultradireita e vira a chave com Israel abrindo embaixada em Jerusalém
O que Gustavo Petro desfez em maio de 2024, Abelardo de la Espriella promete reconstruir em agosto de 2026 – e ir bem além. A Colômbia está prestes a sair do eixo crítico a Israel e entrar no clube dos poucos países que fincaram bandeira diplomática em Jerusalém.

De um lado, a leitura da direita brasileira enfatiza a reaproximação estratégica e a guinada pró-Israel. O encontro em Washington entre o futuro chanceler colombiano, Omar Bula, e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, rendeu “um roteiro detalhado para a restauração plena e imediata das relações diplomáticas e econômicas” entre os dois países, incluindo a abertura de uma embaixada colombiana em Jerusalém e a dispensa recíproca de vistos. O gesto é apresentado como correção de rota após a ruptura “no fim de mandato” de Petro, que havia cortado relações por causa da ofensiva israelense em Gaza.

Do outro lado, a esquerda brasileira enxerga o mesmo movimento como ofensiva ideológica da ultradireita. CartaCapital destaca que De la Espriella é “ultradireitista” e que a abertura da embaixada em Jerusalém integra um pacote mais amplo: restabelecer laços, retirar o apoio colombiano ao processo da África do Sul contra Israel por genocídio em Gaza na Corte Internacional de Justiça, retomar exportações e compras de armamento e até fortalecer cooperação militar para “bombardear os grupos armados financiados pelo narcotráfico” na Colômbia.

Há um raro ponto de consenso entre as narrativas: ambas reconhecem que a ruptura de Petro foi uma resposta direta à guerra em Gaza e que a embaixada colombiana seguia a norma internacional ao permanecer em Tel Aviv. A divergência está no juízo de valor: para a direita, a Colômbia volta ao “mundo real” da segurança e do comércio; para a esquerda, entra na vanguarda de uma agenda ultradireitista alinhada à política externa mais dura de Israel.

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