Direita brasileira diz que Soraya Thronicke virou cabo eleitoral de Lula no Senado

A senadora Soraya Thronicke (PSB) confirmou sua pré-candidatura à reeleição em Mato Grosso do Sul, em uma aliança com o PT e com o apoio do presidente Lula. A articulação visa fortalecer o palanque governista no estado.
Direita brasileira diz que Soraya Thronicke virou cabo eleitoral de Lula no Senado

Direita brasileira diz que Soraya Thronicke virou cabo eleitoral de Lula no Senado
Soraya Thronicke, eleita na onda bolsonarista de 2018, agora aposta todas as fichas numa aliança com o PT e no apoio direto de Lula para tentar segurar sua cadeira no Senado por Mato Grosso do Sul. A guinada expõe uma disputa de narrativas: para a direita, é traição; para Soraya, é “recalcular a rota”, não os princípios.

De um lado, a imprensa alinhada à direita destaca o contraste entre a origem política da senadora e o novo palanque. Soraya foi eleita como aliada de Jair Bolsonaro pelo PSL em 2018 e chegou a vice-líder do governo no Congresso, onde dizia trabalhar por “reformas e pautas conservadoras” e pela flexibilização do porte e da posse de armas. Agora, formaliza uma aliança com Lula, com o compromisso explícito de fazer campanha pela permanência do petista no poder em troca de apoio à sua reeleição.

Do outro lado, a própria Soraya tenta vender a mudança como coerência de fundo, não de rótulo. Ao migrar para o PSB, partido de Geraldo Alckmin, e aproximar-se do grupo de Lula, ela afirma que “recalculou a rota” e que “uma sigla ou uma cor diferente não mudaram” seus valores. A narrativa oficial é de continuidade em pautas como combate à violência contra a mulher e enfrentamento ao machismo na política, enquanto se afasta do bolsonarismo desde a pandemia, quando passou a criticar a condução da crise sanitária e a defender a vacinação como prioridade.

O resultado é um palanque híbrido em Mato Grosso do Sul: Soraya candidata ao Senado na aliança PSB-PT, com foto ao lado de Lula e a provocação — “Se sou pré-candidata à reeleição? Nunca deixei de ser!”. Para a direita, é símbolo de fisiologismo e oportunismo eleitoral. Para a senadora, é sobrevivência política em um novo centro de gravidade do poder em Brasília.

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