Alckmin troca confronto por negociação e une direita e esquerda no diagnóstico do tarifaço
Alckmin troca confronto por negociação e une direita e esquerda no diagnóstico do tarifaço
Governo e imprensa de campos opostos convergem no essencial: o tarifaço de 25% dos EUA é um baque real, mas a resposta brasileira, por ora, será negociação em vez de troco na mesma moeda. Direita e esquerda também coincidem em outro ponto: o foco imediato é proteger exportadores, abrir mercados e usar instrumentos de defesa sem escalar a briga.
Se há contraste, ele está menos no fato e mais na moldura. Pela leitura à direita, Alckmin tenta vender firmeza sem romper pontes: invoca a Lei da Reciprocidade para corrigir “injustiças”, mas rejeita retaliar diretamente Washington. O argumento é pragmático e quase didático. “A ideia não é retaliação. Olho por olho pode acontecer dos dois ficarem cegos.” Nessa versão, o governo corre atrás de um pacote defensivo — drawback, Reintegra, capital de giro e novos acordos com Índia, México, Japão e União Europeia — para amortecer o impacto sobre setores vulneráveis como autopeças, eletroeletrônicos e calçados.
À esquerda, o tom é parecido no diagnóstico, mas mais político na ênfase: o “plano A” é insistir na negociação para reverter ou ao menos reduzir a tarifa, enquanto o Estado escuta empresas e organiza apoio aos atingidos. A conta é pesada e concreta: cerca de 2,4 mil empresas, 18% das exportações brasileiras aos EUA e US$ 7,4 bilhões em jogo. A vitrine dessa estratégia é a diversificação: um plano de R$ 130 milhões da ApexBrasil, em parceria com 57 setores, para reduzir a dependência do mercado americano.
No fim, a diferença entre as narrativas é de enquadramento; a semelhança, de substância. Ambos os lados descrevem um governo que evita a bravata, segura a reciprocidade como ameaça latente e aposta que sobreviver ao tarifaço exige menos orgulho ferido e mais cálculo comercial.
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