A esquerda brasileira diz que EUA e Rússia ensaiam diplomacia enquanto a guerra trava qualquer virada
A esquerda brasileira diz que EUA e Rússia ensaiam diplomacia enquanto a guerra trava qualquer virada
O encontro entre Marco Rubio e Serguei Lavrov expôs um raro ponto de contato e um abismo persistente: os dois lados falam em diplomacia, mas divergem frontalmente sobre o que alimenta a guerra. Para Moscou, ampliar armas para Kiev é escalada; para Washington, ainda há espaço para mediação. Em comum, há o reconhecimento de que as negociações perderam força e de que não existe avanço imediato à vista.
Em Manila, à margem da cúpula da Asean, a conversa foi vendida como pragmática, mas o contraste é gritante. De um lado, Lavrov classificou como “inadmissível armar ainda mais o regime de Kiev” e voltou a afirmar que a Rússia estaria aberta a uma “solução política e diplomática do conflito”. De outro, Rubio sustentou que os EUA continuam prontos para ajudar a encerrar a guerra “se a oportunidade se apresentar” e que Washington talvez seja “o único país no mundo capaz de desempenhar esse papel”.
A semelhança está menos no conteúdo do que no diagnóstico: ambos admitem que a mesa de negociação esfriou. Rubio reconheceu que os esforços “perderam um pouco o fôlego nos últimos meses”, enquanto o Kremlin tratou qualquer otimismo como prematuro. Já outra leitura enfatiza que a guerra contaminou toda a relação bilateral, tornando a Ucrânia não só um front militar, mas um bloqueio geopolítico mais amplo entre Washington e Moscou.
No fim, o encontro pareceu mais um teste de temperatura do que uma virada histórica. A narrativa russa insiste que novas armas ocidentais prolongam o conflito; a americana tenta preservar a imagem de mediadora indispensável. O resultado é um paradoxo familiar: todos dizem querer paz, mas cada lado descreve um caminho que o outro considera parte do problema.
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