CNPE libera venda direta do gás da União em gasodutos da Petrobras e promete derrubar custos industriais em até 50%, mas ainda há gargalos na regulação

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou uma resolução que permite a venda direta do gás natural da União, produzido no pré-sal, para o mercado. A medida, que libera o uso de gasodutos da Petrobras para a comercialização, tem o objetivo de aumentar a oferta e reduzir o preço do insumo para a indústria em até 50%.
CNPE libera venda direta do gás da União em gasodutos da Petrobras e promete derrubar custos industriais em até 50%, mas ainda há gargalos na regulação

CNPE libera venda direta do gás da União em gasodutos da Petrobras e promete derrubar custos industriais em até 50%, mas ainda há gargalos na regulação
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou uma mudança que pode baratear o gás natural para a indústria — ao abrir a venda direta do gás da União para o mercado. A medida, no entanto, expõe um contraste: enquanto o governo aposta em oferta maior e preço menor, críticos e observadores lembram que o resultado depende do ritmo da regulação e das tarifas de transporte.

O desenho é relativamente simples: a resolução autoriza que o gás natural produzido no pré-sal, administrado pela PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.), seja comercializado em “venda direta a grandes consumidores, como termelétricas e indústrias”, com foco em leilões. A promessa oficial é de impacto no bolso: tanto a Gazeta do Povo quanto a CartaCapital resumem que a política mira redução de preço “em até 50%” ao aumentar a demanda e destravar a competição no setor.

Na leitura do campo mais ligado ao governo e ao mercado, a aprovação é tratada como um marco de competitividade. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a medida “vai contribuir para trazer mais competitividade para o gás natural no país, reduzindo o custo desse insumo para o setor industrial brasileiro”. Em paralelo, a gestão reconhece que ainda corre para ajustar o que pode, na prática, impedir o repasse do benefício: a ANP precisa regulamentar o aluguel dos gasodutos, inclusive do sistema da Petrobras.

Já a perspectiva de esquerda reforça a mesma meta — gás mais barato para a indústria —, mas chama atenção para a engrenagem regulatória que transforma promessa em conta final. A CartaCapital destaca a estimativa do Ministério de Minas e Energia de queda de 50% para grandes consumidores e relaciona o ganho ao uso dos gasodutos em leilões conduzidos pela PPSA.

No fim, governo e oposição convergem na direção: mais gás no mercado e menor preço. Divergem, sobretudo, no ceticismo sobre quanto tempo levará para a ANP fechar o cálculo do transporte e, com isso, fazer a redução chegar ao chão de fábrica.

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