Espetáculo resgata história de clube negro nascido da segregação em Joinville
No palco do Museu da Dança de Joinville, sete bailarinos entram um a um, em silêncio. Caminham lentamente com chapéus iluminados que lhes ocultam os olhos. A imagem inicial de "Cabeças" sugere corpos em busca de identidade. Aos poucos, a contenção dá lugar ao movimento, e a coreografia acelera até explodir em saltos, giros, quedas e demonstrações de equilíbrio. O espetáculo, apresentado pela Cia 255, integrou a programação do Festival de Dança de Joinville nesta quarta-feira (22).
O espetáculo “Cabeças”, da Cia 255, apresentado no Festival de Dança de Joinville, usa a dança para contar a história do Kênia Clube, fundado em 1960 por moradores negros como resposta à segregação racial.
Criada em 2024 e inspirada na trajetória do clube, a obra, com direção de Rubens Oliveira, aborda ancestralidade, pertencimento e resistência, transformando a memória coletiva em uma narrativa de autoafirmação.
A peça reflete sobre o desafio do pertencimento para a comunidade negra em Joinville e a capacidade da arte de promover discussões importantes.
- O espetáculo “Cabeças” da Cia 255 integrou a programação do Festival de Dança de Joinville.
- A obra é inspirada na história do Kênia Clube, fundado em 1960 por moradores negros de Joinville contra a segregação racial.
- Com direção de Rubens Oliveira, “Cabeças” reflete sobre ancestralidade e pertencimento, a partir da trajetória do clube.
- O nome da companhia remete ao endereço do Kênia Clube (Rua Botafogo, 255), que também foi sede da primeira escola de samba de Joinville.
- O coreógrafo Rubens Oliveira descreve o Kênia Clube como um “quilombo” e um espaço de resistência para a comunidade negra.
- O espetáculo é dividido em seis capítulos e culmina em um gesto de autoafirmação dos bailarinos.
- A apresentação ocorreu para uma plateia reduzida em um festival historicamente marcado pelo balé clássico e por uma população majoritariamente branca.
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/espetaculo-resgata-historia-de-clube-negro-nascido-da-segregacao-em-joinville.shtml
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