Desigualdade de renda entre servidores supera a observada no Brasil, diz estudo
A desigualdade de renda entre os trabalhadores do setor público brasileiro é maior do que a observada no conjunto do país, segundo estudo do auditor da CGU (Controladoria-Geral da União) Sergio Guedes-Reis, elaborado com dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.
Um estudo baseado em dados da Rais revela que a desigualdade de renda entre servidores públicos brasileiros é superior à média nacional, com o índice de Gini atingindo 0,527 em 2023. A concentração de renda é impulsionada por uma pequena elite, majoritariamente de carreiras jurídicas de elite, cujos rendimentos integramamente provêm do trabalho, um caso excepcional no cenário global. Pagamentos acima do teto constitucional, especialmente para essas carreiras, totalizaram R$ 24,3 bilhões em 2025, subestimando ainda mais a concentração real de renda.
- A desigualdade de renda no setor público brasileiro (Gini de 0,527 em 2023) supera a média nacional (0,517).
- A concentração de renda é puxada por uma elite de cerca de 80 mil servidores, com mais da metade em carreiras jurídicas de elite.
- Para o 1% mais rico do funcionalismo, toda a renda é proveniente do trabalho, um fenômeno incomum globalmente.
- O setor público responde por cerca de 10% da desigualdade de renda no Brasil.
- Em 2025, o setor público pagou pelo menos R$ 24,3 bilhões acima do teto constitucional, sendo R$ 22,8 bilhões para integrantes das carreiras jurídicas de elite.
- A ineficácia do teto constitucional está ligada à falta de regras rígidas e critérios claros para diferenciar remuneração de verbas indenizatórias.
- Experiências internacionais, como no Chile e Reino Unido, com comissões independentes para discutir remuneração pública, são citadas como referências.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/desigualdade-de-renda-entre-servidores-supera-a-observada-no-brasil-diz-estudo.shtml
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