Opinião

Escrita por Carol Tilkian, psicanalista, pesquisadora de relacionamentos e palestrante. Fundadora do podcast e do canal Amores Possíveis e professora da Casa do Saber
Opinião

A frase “Amar é dar o que não se tem” é analisada em contraste com a formulação completa de Lacan, destacando os perigos da romantização do sacrifício e da ideia de um amor ‘sob demanda’. A autora discute como a sociedade do desempenho e a IA, como a Meta IA de Mark Zuckerberg, podem naturalizar essa lógica em nossos relacionamentos afetivos. O texto propõe um amor menos performático e mais focado na aceitação da falta e da incompletude, tanto própria quanto do outro.

  • A edição da frase de Lacan “Amar é dar o que não se tem” para “Amar é dar o que não se tem para alguém que não o quer” desvia do pensamento original e abre espaço para a romantização do sacrifício e a lógica do amor ‘on demand’.
  • A cultura contemporânea valoriza a superação e o sofrimento como prova de valor, perigosamente se estendendo à esfera amorosa.
  • O sacrifício no amor possui um viés de gênero histórico, onde mulheres são ensinadas a se doar incondicionalmente, anulando-se para satisfazer o outro.
  • A sociedade do desempenho, com sua pressão por produtividade e eficiência, nos leva a performar um ideal de parceiro, ignorando a alteridade e a falibilidade humana.
  • A ascensão da IA, exemplificada pela Meta IA de Mark Zuckerberg, promete amores personalizáveis e soluções rápidas, mas pode aprofundar a lógica utilitarista nas relações.
  • O verdadeiro amor, segundo a análise de Lacan, é menos performático e prepotente, aceitando a angústia da falta e da incompletude no vínculo.
  • O convite é para um amor que reconhece e suporta a incompletude como um traço humano, em vez de buscar um encaixe perfeito ou fusão.
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/amor-cronico/2025/05/amar-e-mesmo-dar-o-que-nao-se-tem.shtml
Write a comment