O Nostr está condenado?

A IA pode destruir o Nostr.
O Nostr está condenado?

Um “sujeito” - a esta altura do campeonato não sei dizer não é também um bot, me mostrou algo interessante que eu não tinha percebido. Na realidade eu já havia notado uma drástica queda nos padrões de raciocínio da geração Y e Z, algo que apontava para uma falta de capacidade de hierarquizar questões complexas e, principalmente, analisar corretamente fatos concretos mediante uma hierarquia objetiva de valores. 

Esta deficiência é geral e atinge tanto o espectro ideológico da direita quanto da esquerda, evidentemente atingindo mais os esquerdistas. O padrão é exatamente partir de um conceito estabelecido de antemão e interpretar os fatos concretos em função deste pré-conceito no intuito de gerar juízos de valor em forma de argumentação lógica. Não importam os fatos, a interpretação vai usar esses fatos para corroborar com o que já se acreditava de antemão, mandando a lógica e a hierarquia de valores pro espaço.

O fato que o “sujeito” me mostrou é que esse comportamento é o mesmo dos bots. Em suma, não é mais possível identificar o Gen Z e o Bot apenas pela forma de pensar e argumentar.

Para alguém treinado em ir direto ao ponto de uma questão e invalidar as premissas, isso é como veneno. Basta examinar um parágrafo de poucas linhas para invalidar os argumentos de um texto de várias laudas. O problema é que só é possível identificar o padrão de argumentação de um bot se prestarmos atenção em todos os detalhes do texto a fim de captar as incongruências de pensamento e os padrões de repetição que são invisíveis para quem está acostumando a ir direto ao cerne da questão e ignorar os detalhes desnecessários.

De tanto perceber tal padrão em pessoas da respectiva faixa etária eu cheguei à conclusão que o mesmo é endêmico e para complicar, agora temos a possibilidade de encontrarmos bots mais sofisticados fazendo a mesma coisa sem uma diferença significativamente perceptível. Isso pode ser uma tragédia, pois o nível de material lixo passível de ser criado desta forma, sem que seja identificado como “IA slop” será inabarcável.

Criadores de conteúdo, gurus de nicho ideológico, agentes de mudança pagos por nações hostis, agências de espionagem, scams,  serão capazes de gerar lixo literário para seu público sem esforço algum, e como este público possui uma deficiência cognitiva que o faz aceitar esse padrão de pensamento como normal, este material será tratado como conteúdo de alta qualidade. Não estou me referindo ao lixo jornalístico criado por IA que matou a internet, e que é muito fácil de identificar e categorizar; estou me referindo a livros, contos, postagens e artigos análise política e conteúdo ideológico de personas e perfis de redes sociais falsos se multiplicando exponencialmente, repetindo o mesmo padrão deficiente de pensamento ad infinitum. É uma situação  análogo à “operação do erro” descrita na Bíblia, mesmo não sendo de fato o evento descrito, pois ainda não estamos na tribulação.

Para redes irrestritas, esta possibilidade significa a própria morte da rede. O Nostr já pode estar condenado e não sabe, pois mesmo uma persona que antes era real, pode ceder seu perfil para o bot ir tocando automaticamente, por assim dizer,  transformando um perfil verdadeiro num perfil falso. Redes de agentes de desinformação podem inundar os relays, personas reais podem criar chaves de delegação para bots e isso tudo virar um lugar estéril.

A rede perderá o sentido de existir exceto como uma ferramenta para fazer o que quiser irrestritamente, mas com todo seu conteúdo posto em suspeição. Poderemos usá-la para fazer outras coisas  mas sua massa de dados será enganosa e inútil . Poderemos esconder nossa identidade, mas nunca saberemos se o perfil do lado é um autômato. Poderei usá-la para espalhar desinformação e ideologias em massa via bots; poderei usá-la para criar um nicho meu e para quem eu “CREIO” que é real, usando relays privados, mas nunca poderei confiar que é cem por cento verdadeiro, dada essa brecha que faz parte da própria natureza do protocolo.

Mais ainda, a segregação em nichos é muito mais eficientemente alcançada por programas como Signal, e há muitos meios de conseguir o anonimato completo com essas plataformas de mensagens P2P, deixando o Nostr inútil nesta seara.  Eu mesmo tenho um grupo no Signal há muitos anos e jamais trocaria a plataforma por um relay privado do nostr, pois este seria custoso de manter e passível de que meus contatos reais, conseguido a duras penas, se transmutem em bots, destruindo a razão de ser grupo.

Se esta tendência se consolidar, que parece ser o desejo da maioria dos desenvolvedores  do protocolo dado os orgasmos múltiplos que testemunhamos na rede por causa do Open Claw e seu agentes, creio que não haverá outro futuro para a rede. Ela se tornará sintética onde, e a maior parte do conteúdo dela será artificial e contestável.

OBS: Fiz questão de não fazer nenhuma revisão neste texto a fim de manter a organicidade do mesmo. Texto não tocado por nenhum tipo de IA.


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