Revoluções sempre são ruins
- Introdução
- Exploração dos trabalhadores
- Morte e fome
- Destruição
- Tempo até a regulação da exploração e a reintegração econômica
- Conclusão
Introdução
Não é preciso dizer que pelo menos uma tecnologia inteira ficou obsoleta antes mesmo de ser esgotada; falo da máquina vapor. Antes de se tornar eficiente eficiente foi logo suplantada. Toda revolução é assim, e é lógico que ocorrerá o mesmo com a IA. Aliás, têm ocorrido numa velocidade vertiginosa.
A Revolução Industrial, iniciada na Grã-Bretanha por volta de 1760 e estendida à Europa continental e aos Estados Unidos até meados do século XIX, representou destruição e escravidão para muitos e consolidação extrema de poder para a pequena elite que a patrocinou. Senão vejamos
Exploração dos trabalhadores
Os trabalhadores enfrentaram jornadas exaustivas de 12 a 16 horas diárias, seis ou sete dias por semana, em fábricas têxteis, minas de carvão e outras indústrias. O trabalho infantil era generalizado: crianças a partir dos 5 ou 6 anos eram empregadas em tarefas perigosas, como arrastar vagões em túneis estreitos de minas ou operar máquinas em fábricas, recebendo salários equivalentes a 10-20% dos adultos masculinos. Mulheres e crianças eram particularmente exploradas devido à sua adequação a tarefas delicadas e ao menor custo. Condições incluíam punições físicas, ausência de proteção contra acidentes e exposição a poeira e ruído, o que causava deformidades, doenças pulmonares e esgotamento físico. Em algumas indústrias têxteis de 1788, cerca de dois terços da força de trabalho eram crianças.
Morte e fome
A urbanização acelerada — com o crescimento populacional de cidades como Manchester, que sextuplicou entre 1771 e 1831 — gerou favelas superlotadas, sem saneamento adequado e com água contaminada. Isso provocou epidemias de cólera (mais de 30 mil mortes em 1831-1832 e mais de 60 mil em 1848-1849, totalizando mais de 100 mil na Grã-Bretanha ao longo do século), tifo e tuberculose. A mortalidade infantil atingiu níveis de 200-270 por mil em várias cidades industriais, e a expectativa de vida ao nascer em áreas como Manchester caiu para cerca de 17-35 anos em picos de crise (décadas de 1820-1850), devido principalmente a doenças infecciosas e desnutrição. Acidentes industriais eram frequentes, com altas taxas de lesões e fatalidades. A fome não se manifestou como grandes fomes agrárias, mas como desnutrição crônica generalizada: dietas baseadas em pão, batatas e chá, agravadas pelos altos preços de alimentos (devido às Leis do Trigo, até 1846) e pela migração forçada.
Destruição
Do ponto de vista ambiental, a queima intensiva de carvão gerou poluição atmosférica (smog) e contaminação de rios, contribuindo para a deterioração da qualidade do ar e da água em escala sem precedentes. Socialmente, o movimento de cercamentos (enclosures) privatizou terras comunais, aumentando a produtividade agrícola, mas deslocando milhares de pequenos camponeses e camponesas, que perderam direitos de pastagem e coleta, resultando em empobrecimento rural e migração urbana em massa. Isso desestruturou comunidades tradicionais e famílias, com relatos de separação geográfica e perda de laços sociais. A destruição não foi total ou permanente para todos, mas criou um suprimento de mão de obra barata e vulnerável.
Tempo até a regulação da exploração e a reintegração econômica
A exploração não cessou abruptamente, mas foi mitigada por um processo gradual de reformas legislativas e econômicas, impulsionado por movimentos humanitários, relatórios parlamentares e pressões sindicais. As primeiras leis (Factory Acts) datam de 1802 (Health and Morals of Apprentices Act, limitada a aprendizes), com avanços significativos a partir de:
1819: Proibição de trabalho abaixo de 9 anos em algodão e limite de 12 horas;
1833: Proibição geral abaixo de 9 anos (exceto seda), limite de 8 horas para crianças de 9-13 anos, 12 horas para 13-18 anos, obrigatoriedade de 2 horas diárias de educação e nomeação de 4 inspetores fabris;
1844: Redução para mulheres e jovens;
1847 (Ten Hours Act): Limite de 10 horas diárias para mulheres e menores de 18 anos.
Essas medidas foram expandidas na década de 1860-1870 para outras indústrias (cerâmica, mineração, oficinas), com consolidação em 1878 e elevação da idade mínima para 11 anos em 1891. Os sindicatos ganharam força legal progressiva a partir da década de 1870. As condições melhoraram substancialmente na segunda metade do século XIX, com jornadas reduzidas, fiscalização efetiva e proibição gradual do trabalho infantil extremo (totalmente regulado no início do século XX).
Quanto aos salários reais e à reintegração dos deslocados rurais: o crescimento foi lento ou estagnado entre 1780 e 1850 (aumento de apenas cerca de 15% em alguns índices), mas acelerou após 1850, dobrando em muitos setores até o final do século. Os que perderam terras foram absorvidos pela expansão industrial como mão de obra urbana, criando empregos em fábricas e, posteriormente, em serviços. A reintegração econômica plena — com padrões de vida dignos, saneamento (Public Health Act de 1848 em diante) e mobilidade social — ocorreu ao longo de 1-2 gerações, com melhorias notáveis entre 1870 e 1900, graças à produtividade acumulada e à expansão do PIB. Em termos gerais, levaram-se cerca de 70-100 anos desde o início da Revolução (1760) para que a exploração fosse regulada de forma efetiva e a maioria dos deslocados se recolocasse em uma economia mais estável e próspera.
Em síntese, os custos humanos foram profundos e concentrados nas DÉCADAS iniciais, mas o processo de mitigação foi progressivo, culminando em ganhos de longo prazo que elevaram o padrão de vida da população trabalhadora. Essa transição reflete o equilíbrio entre inovação tecnológica e reformas sociais, sem o qual os abusos teriam persistido por mais tempo.
Conclusão
Leiam bem o termo DÉCADAS, pois todos os elementos históricos citados estão presentes nessa “revolução” atual, TODOS! É só esperar pra ver.
Eu quero estar errado, mas eu duvido e faço pouco de que eu esteja, pois em nenhum momento da história humana, o advento de uma nova tecnologia significou alguma coisa além de escravidão para uns, e controle hegemônico para outros.
